30/08/2025
Enquanto a doença der mais lucro que a cura, a humanidade estará eternamente medicada, anestesiada, condicionada a sobreviver mas nunca verdadeiramente livre.
Vivemos em uma era em que o sofrimento virou negócio e a dor é mercadoria. Não importa se é a dependência química, a depressão, a ansiedade ou qualquer outra ferida da alma: sempre haverá um mercado pronto para transformar o sintoma em fonte de renda. O sistema não lucra com gente curada, lucra com gente dependente. Não importa se a dependência é da droga, do remédio, da terapia mal direcionada ou de falsas promessas travestidas de solução rápida.
A cura é simples, mas não vende. A cura exige mudança de vida, ruptura com velhos padrões, coragem de encarar a si mesmo sem máscaras. Já o tratamento rende cifras: consultas sem fim, medicamentos sem prazo para terminar, internações sucessivas que não tocam na raiz do problema.
E assim, seguimos como humanidade: mantidos na coleira da conveniência, crentes de que estamos melhorando, quando na verdade apenas aprendemos a conviver com a dor.
A verdadeira revolução começa quando paramos de aceitar paliativos como destino. Quando entendemos que recuperação não se compra em farmácia nem se conquista com promessas embaladas em discursos. Recuperação é enfrentamento, é decisão, é ruptura com a lógica que nos quer eternos pacientes e nunca seres humanos inteiros.
👉 Enquanto não virarmos a chave, seremos tratados, mas jamais curados.
Gabriela Abdalla.