24/09/2025
Escute isso … Recomeçar com pedras afogueadas!
A história de Neemias é uma das mais belas metáforas de recomeço que a Bíblia nos entrega. Quando ele soube que os muros de Jerusalém estavam derrubados, ele não apenas chorou pela destruição, mas decidiu agir. Neemias pediu ao rei autorização para reconstruir a cidade, não como quem busca apenas erguer paredes, mas como quem entende que muros representam identidade, proteção e esperança.
O detalhe mais poderoso está no material que ele escolhe: Neemias não trouxe pedras novas de fora, ele usou as pedras afogueadas, aquelas que já tinham sido marcadas pelo fogo, rachadas pelo calor, castigadas pelo tempo. E é exatamente aí que encontramos o coração da mensagem: o recomeço verdadeiro não vem de apagar a história, mas de reaproveitá-la.
Na psicologia, aprendemos que não se trata de negar nossas feridas ou tentar viver como se elas não existissem. Pelo contrário, as cicatrizes são parte da nossa estrutura psíquica, são registros da dor, mas também da sobrevivência. São memórias que provam que resistimos ao fogo e, por isso mesmo, podemos ser mais fortes.
Neemias nos ensina que recomeçar não é jogar fora as marcas, mas transformá-las em fundamento. O muro reconstruído não apagou os incêndios do passado, mas testemunhou que, apesar do fogo, ainda havia vida, ainda havia pedra.
Recomeçar é isso … é olhar para as próprias pedras afogueadas … as perdas, os traumas, as decepções e compreender que nelas existe material suficiente para reconstruir. Não precisamos de uma história nova, precisamos de coragem para ressignificar a história que já temos.
E o mais lindo nisso, é que Neemias não reconstrói sozinho. Ele envolve famílias inteiras, cada um restaurando a parte do muro diante de sua casa. O recomeço também é em conjunto com quem torce com você e tem as mesmas intenções que a sua! Sambalate e Tobias que fiquem de fora! Precisamos de mãos que nos ajudem a colocar cada pedra no lugar.
Assim, o recomeço à luz da fé e da psicologia não é um retorno ilusório ao que fomos, mas a decisão consciente de erguer algo novo com aquilo que já temos. Porque em Deus, até pedras queimadas se tornam material de restauração. (Areis Silva)