Espaço Seja

Espaço Seja Clínica de psicanálise

21/10/2024
25/07/2022

Enquanto se atende às demandas incessantes do outro, enquanto se está “à disposição”, algo f**a de fora. Pessoas que vivem relações familiares, casamentos, relações de amizade ou outras, nas quais isso está posto, costumam estar constantemente reclamando. Porém, se a situação é incômoda, por qual motivo se permanece nessa posição? A resposta mais óbvia e até certo ponto convincente é: “se suporta tudo por amor, por carinho, por consideração à pessoa”. Mas a resposta muitas vezes oculta é: “enquanto atendo às demandas do outro minha própria falta não aparece”. Lidar com a própria falta, com a própria vida, com o próprio desejo, com as próprias escolhas, pode, paradoxalmente, ser mais difícil do que lidar com a demanda infinita do outro. Então, enquanto o outro ocupa esse lugar, há um certo apaziguamento da angústia, que não pode aparecer até por não sobrar tempo nem espaço para isso. A pessoa segue num lugar de “conforto/desconfortável” pois há sempre um incômodo em relação a quanto o outro demanda, mas não há um entendimento de que isso de certa forma preenche um espaço delicado e difícil de lidar. Tentar tampar a falta “intampável” do outro nos livra, momentaneamente, de encararmos a nossa própria falta. Quando os outros ocupam mais o nosso pensamento do que nossas próprias questões algo em nós está perdido.
Luciano Lima

24/07/2022

Eu te odeio, não me abandones - O Psicodrama Borderline

Imaginem uma pessoa que por algum erro constitucional nascesse sem pele: qualquer toque, por mais leve, provocaria dor e reação intensa. Assim é o borderline, o que lhe falta é a pele emocional.

Buscando, de modo simplista, a fórmula de produção desta patologia, poderíamos pensar que uma criança demasiadamente sensível, em contato com um ambiente invalidador, multi-abusivo e destruidor de sua autoconfiança básica, tende a desenvolver comportamentos defensivos que se constituirão nas próprias características do distúrbio.

Como adulto, o borderline acaba reproduzindo as características invalidadoras de seu meio: invalida suas próprias experiências emocionais e busca nos outros interpretações sobre a realidade. É incapaz de resolver problemas rotineiros, tem dificuldades generalizadas de "como viver". Formula objetivos pouco realistas, não valoriza pequenos êxitos e se odeia diante dos insucessos. A reação característica de vergonha é o produto natural de um ambiente que envergonha quem demonstra vulnerabilidade emocional.

O sofrimento e as reações emocionais são extremas: o que seria apenas embaraçoso, torna-se, para ele, profundamente humilhante; desagrado pode tornar-se ódio; culpa leve, torna-se vergonha; apreensão transforma-se em pânico. "Prisioneiro" das próprias emoções, basta um pequeno estímulo para provocar reações intensas, crises de fúria que confundem e assustam as pessoas à sua volta e ele mesmo. Cria grandes tragédias das quais reclama com fúria crescente, culpando os outros pela situação em que se encontra. Quanto maior a expressão da raiva, mais o borderline se convence e tenta convencer os outros de que são responsáveis por seus sentimentos. E como suas respostas emocionais são de longa duração (lento para voltar a um nível emocional adequado) permanece altamente sensível ao próximo estímulo.

Tendo seu desenvolvimento emocional detido nas primeiras fases, o borderline é uma criança num corpo adulto e, como a criança, é impulsivo, não sabe esperar, não aceita se frustrar, tem dificuldade em simbolizar conceitos abstratos. Tenta conseguir tudo que quer o tempo todo, a qualquer custo. Em resumo: o borderline tem imensa dificuldade em lidar de forma adequada com suas emoções e a terapia precisa encontrar caminhos: primeiro para não se deixar destruir por demonstrações emocionais grandiosas; segundo para não destruir a precária estrutura emocional que o paciente apresenta; por último, para conseguir formas criativas de fazer pequenos "enxertos" (ele não possue "pele emocional") e dar algum invólucro que lhe possibilite crescer e se desenvolver dignamente.

Lisa (uma borderline em apuros)

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