04/02/2026
4 𝙙𝙚 𝙁𝙚𝙫𝙚𝙧𝙚𝙞𝙧𝙤 2026 – 𝘿𝙞𝙖 𝙈𝙪𝙣𝙙𝙞𝙖𝙡 𝙙𝙤 𝘾𝘼𝙉𝘾𝙍𝙊
📍Até quatro em cada dez casos de cancro no mundo poderiam ser prevenidos, segundo uma nova análise da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro (IARC). O estudo examina 30 causas evitáveis, incluindo: tabaco, álcool, sobrepeso, sedentarismo, poluição do ar, radiação ultravioleta e - pela primeira vez - nove infeções causadoras de cancro.
𝘊𝘰𝘯𝘧𝘪𝘳𝘢 𝘯𝘢 𝘪𝘯𝘵𝘦𝘨𝘳𝘢 𝘢 𝘮𝘦𝘯𝘴𝘢𝘨𝘦𝘮 𝘥𝘰 𝘋𝘪𝘳𝘦𝘵𝘰𝘳 𝘙𝘦𝘨𝘪𝘰𝘯𝘢𝘭 𝘥𝘢 𝘖𝘔𝘚 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘢 𝘈́𝘧𝘳𝘪𝘤𝘢, 𝘋𝘳. 𝘔𝘰𝘩𝘢𝘮𝘦𝘥 𝘑𝘢𝘯𝘢𝘣𝘪:
"O cancro deixou de ser uma crise silenciosa em África. Trata-se de uma emergência de saúde pública crescente que exige uma ação urgente, equitativa e sustentada.
Hoje, no Dia Mundial do Cancro, a Organização Mundial da Saúde junta‑se aos governos, parceiros e comunidades de todo o continente para reafirmar um compromisso inequívoco: o cancro pode ser prevenido, detetado precocemente e tratado de forma mais eficaz — e cada vida salva conta.
Na Região Africana da OMS, o cancro está a tornar-se uma das principais causas de morte prematura. Todos os anos, mais de 1 milhão de pessoas recebem um novo diagnóstico e cerca de 1 milhão perdem a vida devido à doença. Por detrás destes números estão mães, pais, crianças e jovens cujas vidas são encurtadas não porque não existam soluções, mas porque o acesso a essas soluções continua a ser desigual.
O cancro não é apenas um problema de saúde. É também um desafio para o desenvolvimento. Esta situação sobrecarrega as famílias, enfraquece os sistemas de saúde e compromete o progresso económico. O fardo recai de forma desproporcionada sobre aqueles que têm menos acesso à deteção precoce, ao tratamento atempado e à proteção financeira.
O ano transato demonstrou o que pode ser alcançado quando o controlo do cancro é assumido como prioridade nacional. Os Estados-Membros da Região alargaram a vacinação contra o vírus do papiloma humano (HPV), reforçaram os serviços de rastreio do cancro do colo do útero, melhoraram o acesso aos cuidados oncológicos infantis e começaram a integrar os cuidados paliativos nos serviços de saúde de rotina. Estes são alicerces essenciais para melhorar a sobrevivência a longo prazo.
Contudo, persistem grandes lacunas. O diagnóstico tardio continua a ser frequente. As interrupções de serviço perturbam a continuidade dos cuidados. Os profissionais de saúde especializados são escassos. O acesso à radioterapia, à patologia e aos medicamentos essenciais contra o cancro continua a ser extremamente limitado em muitos locais.
Para muitas famílias, o custo dos cuidados de saúde é catastrófico.
• Muitas das vezes, uma mulher é rastreada, mas nunca tratada.
• Muitas das vezes, uma criança é diagnosticada muito tarde.
• Muitas das vezes, as famílias têm de escolher entre procurar cuidados e satisfazer as suas necessidades básicas.
Isto não é aceitável.
A OMS continuará a apoiar os países africanos através de iniciativas mundiais e regionais baseadas em dados concretos, incluindo a Estratégia Mundial para a Eliminação do Cancro do Colo do Útero, a Iniciativa Mundial contra o Cancro da Mama, a Iniciativa Mundial contra o Cancro Infantil, a Plataforma Mundial para o Acesso a Medicamentos contra o Cancro Infantil e os Serviços Integrados de Oncologia para Mulheres.
Mas estas iniciativas só serão bem-sucedidas se forem plenamente integradas nos sistemas nacionais de saúde, financiadas de forma sustentável e traduzidas em serviços concretos ao nível dos cuidados de saúde primários.
Temos de investir no que funciona: Vacinação contra o HPV; te**es de rastreio de alto desempenho; tratamento descentralizado de lesões pré-cancerosas; reforço da capacidade cirúrgica, radioterapêutica e patológica; acesso fiável a medicamentos essenciais contra o cancro; e integração de cuidados paliativos desde o momento do diagnóstico.
Temos de medir os progressos não por estratégias escritas, mas por raparigas vacinadas, cancros detetados precocemente, doentes tratados atempadamente, dificuldades financeiras reduzidas e vidas salvas.
Neste Dia Mundial do Cancro, apelo a uma ação decisiva a todos os níveis:
• Os governos devem fazer do controlo do cancro uma prioridade de desenvolvimento, integrando a prevenção, a deteção precoce, o tratamento e os cuidados paliativos nos orçamentos nacionais, nas reformas da cobertura universal de saúde e nos sistemas de cuidados de saúde primários.
• Os parceiros e os doadores devem investir em programas de grande impacto, integrados e sustentáveis.
• Os profissionais de saúde devem continuar a liderar com competência e compaixão, garantindo a aproximação dos serviços às comunidades e reforçando os mecanismos de confiança no sistema de cuidados
• As pessoas que vivem com cancro, bem como os sobreviventes, devem continuar a ocupar uma posição central nas respostas nacionais, atuando não só enquanto beneficiários dos cuidados, mas igualmente como intervenientes-chave e parceiros na condução das transformações necessárias.
África pode mudar a trajetória do cancro. Para isso será necessária uma vontade política sustentada, um investimento interno mais forte, sistemas de saúde resistentes e um empenhamento inabalável na equidade e na responsabilização.
Passemos dos compromissos aos resultados mensuráveis, das estratégias aos serviços, e asseguremos que ninguém em África seja deixado para trás na luta contra o cancro.
𝗝𝘂𝗻𝘁𝗼𝘀, 𝗽𝗼𝗱𝗲𝗺𝗼𝘀 𝗴𝗮𝗿𝗮𝗻𝘁𝗶𝗿 𝘂𝗺 𝗳𝘂𝘁𝘂𝗿𝗼 𝗲𝗺 𝗾𝘂𝗲 𝘁𝗼𝗱𝗮𝘀 𝗮𝘀 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮𝘀 𝘁𝗲𝗻𝗵𝗮𝗺 𝗮𝗰𝗲𝘀𝘀𝗼 𝗮 𝗽𝗿𝗲𝘃𝗲𝗻𝗰̧𝗮̃𝗼, 𝗱𝗶𝗮𝗴𝗻𝗼́𝘀𝘁𝗶𝗰𝗼 𝗽𝗿𝗲𝗰𝗼𝗰𝗲, 𝘁𝗿𝗮𝘁𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝗾𝘂𝗮𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗲 𝗰𝘂𝗶𝗱𝗮𝗱𝗼𝘀 𝗱𝗶𝗴𝗻𝗼𝘀".
🌐 Saiba mais em:
https://www.afro.who.int/health-topics/cancer
https://www.who.int/publications/i/item/9789240014107
https://www.who.int/initiatives/global-breast-cancer-initiative