08/05/2024
Levantei assustada e saí correndo porque a Luz latiu (ela não late). Tenho a sentido estranha, acho que está envelhecendo. Quando latiu, provavelmente sonhando, pensei por um minuto como seria minha vida sem ela. Automaticamente, os resgates dos animais do sul vieram à minha mente. Não consigo imaginar a dor de quem teve que escolher entre se salvar ou salvar um filho de 4 patas... ou simplesmente a dor de quem, no desespero, nem conseguiu pensar. Muita gente não entende, mas esse amor entre um humano e seu pet tem o poder de ultrapassar barreiras que parecem lógicas. Vendo tantos resgates, tantos animais em diversas situações, inclusive mortos porque estavam presos, me deu um gatilho. Sou protetora, voluntária, e acima de tudo, sou gente, e a dor do outro dói em mim. Forte.
Enquanto penso nos animais, penso também nos humanos que, além de perderem tudo, perderam seus entes queridos. Crianças mortas boiando, idosos sem habilidade para se abrigar, vidas cessadas... morte atrás de morte, caos absoluto. Dores que doem tanto que parece que nunca vão sarar. Como a dor da fome que não dá trégua em alguns lugares do mundo, como a dor da falta de humanidade que persiste entre nós. Nessas reflexões, a palavra HUMILDADE vem martelando a minha cabeça: se fosse você, com sua casa e vida estruturada, perdendo tudo, como estaria o seu ego em saber que agora precisa de ajuda para comer, para se vestir, para viver... para reconstruir. Eu, na minha pequenez, estaria completamente angustiada de depender do outro, além de todas as outras confusões mentais que essa situação traz.
Sou espírita, acostumada a questionar, brigo com Deus como um pinscher briga com um dogue alemão. Ele, na sua infinita bondade, sabe que não sou capaz de entender as dores do mundo e os seus porquês, mas me leva a pensar por outra ótica: ao mesmo tempo em que estamos destruindo o planeta, com políticos aprovando leis que vão matar ainda mais a natureza e nossa sociedade, ao mesmo tempo em que animais e pessoas morrem, ao mesmo tempo em que o "TUDO" é perdido, a gente enxerga um movimento de amor gigantesco. (Continua nos comentários)