15/10/2025
Porque os Centros de Reabilitação Neuropsicológica e Estimulação Cognitiva não devem ser apenas de cariz social, mas primordialmente de cariz terapêutico.
Os centros de Reabilitação neuropsicológica e de Estimulação, têm como principal objetivo promover a recuperação funcional, cognitiva, emocional e comportamental de pessoas que sofreram lesões cerebrais (como AVC, TCE, demências, entre outras condições neurológicas).
Por essa razão, a sua natureza deve ser, antes de tudo, terapêutica e não meramente social.
1. A reabilitação neuropsicológica é um processo terapêutico e clínico, não apenas social.
Enquanto a vertente social procura integrar e apoiar a pessoa no seu contexto de vida, a Estimulação Cognitiva e neuropsicológica visa modificar e restaurar funções mentais superiores, como memória, atenção, linguagem, raciocínio e controlo emocional.
Essas intervenções exigem avaliação especializada, planeamento, e técnicas baseadas em evidência científica, que só podem ser conduzidas por profissionais da área da saúde — neuropsicólogos, Psicomotricistas, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, Gerontólogos, fisioterapeutas, entre outros.
2. **A componente terapêutica garante eficácia e continuidade clínica* !
Um centro com orientação meramente social limita-se ao acolhimento e apoio comunitário, o que, embora importante, não produz ganhos clínicos mensuráveis na reabilitação cognitiva e funcional.
A abordagem terapêutica permite:
Intervenções personalizadas e multidisciplinares;
Monitorização contínua da evolução clínica;
Adaptação dos planos de tratamento com base em dados objetivos;
Melhoria da qualidade de vida e autonomia real do utente.
3. Importância do trabalho em rede com apoio clínico e farmacológico
A reabilitação neuropsicológica e a Estimulação Cognitiva é mais eficaz quando existe uma rede de colaboração entre profissionais de saúde e estruturas sociais.
Essa rede deve incluir:
Apoio médico e farmacológico, essencial para o controlo de sintomas (ex.: epilepsia pós-traumática, depressão, agitação, défices de atenção);
Supervisão clínica continuada, que assegura segurança e coerência nas intervenções;
Coordenação entre serviços hospitalares, centros de reabilitação e instituições sociais, garantindo uma resposta integrada e sustentada.
**Sem esta articulação, corre-se o risco de que a intervenção se reduza a um mero acompanhamento social, sem impacto terapêutico efetivo na funcionalidade cognitiva e emocional do utente* .
Conclusão
Os Centros de Estimulação e Reabilitação Neuropsicológica devem ter como eixo central a intervenção terapêutica, apoiada numa rede multidisciplinar que inclua componentes clínicas e farmacológicas, assim como as Terapias Não Farmacológicas particularmente estruturadas de acordo com o doente em questão.
O apoio social é indispensável, mas deve atuar em complemento, nunca em substituição da vertente terapêutica.
Somente desta forma é possível alcançar uma reabilitação integral, que promova a autonomia, a reintegração e a verdadeira melhoria da qualidade de vida dos doentes neurológicos.