Intelier Maria Peixoto

Intelier Maria Peixoto Perdas| Doença |Finitude
Acolhimento, compreensão e autodeterminação em momentos de dor e fragilidade

Durante o coma e a proximidade da morte da filha, Isabel Allende escreveu-lhe. Escreveu sobre a história da família, a s...
22/04/2026

Durante o coma e a proximidade da morte da filha, Isabel Allende escreveu-lhe.

Escreveu sobre a história da família, a sua própria vida e sobre a dor de ter a filha em coma, até culminar na morte de Paula.

É um desabafo íntimo sob a perspetiva de quem cuida. As dúvidas, os esforços, as decisões difíceis, o desgaste...

A vida em suspenso de mãe e filha.

O conflito angustiante e sem resposta certa, entre continuar a insistir e a acreditar na recuperação ou começar a aceitar e deixar ir.

Mais um livro autobiográfico, bem cru, como eu tanto gosto.

Quando algo nos incomoda e dói, o impulso natural é querermos que desapareça. Evitando, silenciando ou solucionando. Mas...
21/04/2026

Quando algo nos incomoda e dói, o impulso natural é querermos que desapareça. Evitando, silenciando ou solucionando.

Mas há algo importante que se perde quando só olhamos para a dificuldade como um problema a corrigir ou resolver.

A oportunidade de a explorar, escutar, compreender.
De ir uma camada abaixo, de a adentrar, em vez de apenas a repelir.

Que necessidade pode estar a ser expressa?
Ou o que pode revelar sobre o que estamos a viver?

Questões que abrem espaço para desvendar o sentido do que está a acontecer, para o integrar de forma mais consciente e nos relacionarmos com ele de forma diferente.

É um processo de exploração interna para quem quer compreender o que está a mexer dentro e quer atravessar estes momentos com mais clareza, sentido e autodeterminação.

Se estás nesse lugar, vem.
Consultas em Guimarães e online.

Tenho uma certa vaidade e um certo orgulho de ter chegado a este lugar tranquilo e seguro com algo que me trouxe tanta d...
19/04/2026

Tenho uma certa vaidade e um certo orgulho de ter chegado a este lugar tranquilo e seguro com algo que me trouxe tanta dor.

E tenho vontade de normalizar o que tantas vezes acontece, mas não se fala e ainda menos se mostra.

No meu processo de me adaptar à mastectomia, foi mesmo importante saber que outras mulheres passavam pelo mesmo e ver nos seus exemplos, nos seus olhos, como continuavam mulheres inteiras. Apesar da diferença, apesar do corpo disforme.

Quis tirar estas fotografias antes de fazer a reconstrução da mama para marcar esta fase. Que me abanou, desmontou e, ao mesmo tempo me fortaleceu.

Que me mostrou que continuo a ser eu em tudo o que importa, mesmo com o corpo mudado, amputado.


Obrigada Vanessa , por seres espaço seguro para eu me permitir ser vista e me (con)firmar através do teu olhar.

A doença aparece e precisamos fazer sentido dela dentro de nós, na nossa história e na nossa vida. Às vezes precisamos p...
09/04/2026

A doença aparece e precisamos fazer sentido dela dentro de nós, na nossa história e na nossa vida.

Às vezes precisamos perceber o que a causou, outras vezes o porquê ou para quê de nos ter escolhido - o que vem mostrar, ensinar ou simplesmente fazer-nos experienciar.

Podemos ainda entender que é só algo que acontece, difícil, injusto, um azar ou o destino.

Questões que pairam e que pedem tempo e espaço onde possam assentar.

Precisamos de dar um signif**ado, um sentido às experiências. Não um qualquer, não um dado por alguém de fora, mas um que venha de dentro, que ressoe connosco e com a nossa história.

Ter uma narrativa coerente e íntegra com o que sentimos e somos ajuda-nos a atravessar momentos difíceis, a integrar mudanças indesejadas, a ter clareza sobre uma direcção a seguir.

É nesse processo de descobrir o fio condutor entre o que foi, é e será que te acompanho.

Consultas em Guimarães ou online.

A doença tem a capacidade de nos fazer olhar para dentro, de nos abrir, desmontar. Não é fácil - há dor, fragilidade, pe...
09/04/2026

A doença tem a capacidade de nos fazer olhar para dentro, de nos abrir, desmontar.

Não é fácil - há dor, fragilidade, perdas. E há também a possibilidade de nos deixarmos guiar e transformar por ela.

A doença acontece-nos. Há (demasiadas) coisas que não controlamos. E há também outras tantas sobre as quais temos capacidade de (auto) determinação.

Há momentos em que precisamos apenas sobreviver. E há outros em que podemos florescer, crescer.

Faz tudo parte da doença, da vida, desta experiência de ser humano.

E isso também se espelha nas consultas... Às vezes são para acolher, suportar, cuidar. Outras vezes são para desbravar, questionar, aprofundar.

Qualquer que seja o teu momento, vem.

Falar sobre doença também deve incluir falar de aspectos emocionais, mentais e existenciais porque são dimensões que con...
23/03/2026

Falar sobre doença também deve incluir falar de aspectos emocionais, mentais e existenciais porque são dimensões que contribuem e impactam a experiência humana de estar doente.

E não se trata de olhar apenas para como lidamos com o diagnóstico, os tratamentos, o prognóstico.
É ir mais fundo.

É compreender como o nosso funcionamento interno — muitas vezes automático, inconsciente e influenciado por experiências passadas — se reflete no corpo, inclusive quando adoece.

É perceber como o corpo expressa mensagens e necessidades das quais muitas vezes não temos insight.

Porque corpo e mente estão profundamente interligados e influenciam-se mutuamente.

A doença surge dentro de uma teia complexa de fatores — genéticos, ambientais, sociais e internos.

E olhar para todos esses fatores dá-nos a oportunidade de compreender e cuidar da doença de forma mais ampla, mais integrada e mais profunda.

Mesmo quando tudo parece ser difícil e fugir ao nosso controlo, lembrar-nos de quem somos, no que acreditamos e o que ve...
15/03/2026

Mesmo quando tudo parece ser difícil e fugir ao nosso controlo, lembrar-nos de quem somos, no que acreditamos e o que verdadeiramente nos importa ajuda-nos a lidar com a mudança e a incerteza com mais segurança.

Mantermos uma conexão a nós, aos nossos valores, ao que é importante para nós e à nossa forma de ver a vida em momentos de fragilidade, doença, perdas vai ser o tema do Intelier Aberto de Março, no domingo dia 29.

Porque esse pode ser o pilar, a estrutura que nos ajuda a manter de pé nos momentos em que muitas coisas parecem ruir à nossa volta.

O Intelier Aberto é um evento gratuito, aberto a qualquer pessoa que se interesse por este tema. É um momento de partilha de conhecimento, de vivências e de diferentes perspetivas.

Eu faço uma breve introdução e conduzo o espaço de reflexão e partilha.

Das 15h30 às 17h.
No Intelier - Penha, Guimarães.

Evento GRATUITO.
Inscrição no link na bio ou por mensagem.

Há momentos em que sabemos que a vida está a mudar. E não no sentido que desejaríamos, porque não depende de nós. Sentim...
13/03/2026

Há momentos em que sabemos que a vida está a mudar. E não no sentido que desejaríamos, porque não depende de nós.

Sentimos o controlo a fugir-nos por entre os dedos e não há nada que possamos fazer para voltar a como era antes. E o quanto queríamos poder voltar ao que era...

Há tristeza, inquietação, revolta, desespero até. O mundo desabou e f**amos no fundo do poço.

E há também coisas em nós que não mudam, que são estrutura e pilar para as tempestades que atravessamos -
A certeza de quem somos no nosso íntimo, na nossa essência.
Os nossos valores, o que nos importa e o que nos norteia.
E a capacidade de pensar e agir sobre a situação que se nos apresenta.

Em consulta escutamos a tristeza, a raiva, a desesperança.
E olhamos também para o que nos edif**a e nos ajuda a manter de pé em fases duras da vida.

Em consulta aprofundamos ambos, integramos ambos.
Não excluímos nenhuma parte de nós nem da nossa vivência.
Porque todas fazem parte da experiência de ser humano.

Achamos que, quando a fase ativa do tratamento acabar, o pior vai ter passado. Que vamos sentir alívio e poder voltar ao...
04/03/2026

Achamos que, quando a fase ativa do tratamento acabar, o pior vai ter passado. Que vamos sentir alívio e poder voltar ao 'normal'.

Só que, na maior parte das vezes, não é exatamente isso que acontece, pelo menos não tão rápido, nem tão linear.

Até ali andávamos ocupados e focados entre exames, tratamentos e a gerir efeitos secundários. Sabíamos o que fazer. Tínhamos um plano, uma direção e objetivos claros - terminar os tratamentos e f**armos livres do cancro.

Agora os tratamentos estão concluídos, a agenda médica está mais liberta, mas não é simples voltar ao que era. F**a um vazio.

Não nos sentimos prontos.
Alguns efeitos secundários persistem.
O cansaço ainda não deu tréguas.
E já não somos os mesmos.

Durante os tratamentos, muita tristeza, raiva, dor f**am contidas porque não há tempo nem espaço para as sentir plenamente. Porque é preciso continuar e fazer o que tem de ser feito. Mas no fim, é comum elas começarem a vir à tona.

O medo da recidiva é real e passa a ser uma companhia frequente.
Monitorizamos atentamente o corpo, duvidamos de qualquer alteração/ sensação e questionamo-nos se o cancro terá voltado ou alastrado.

Pode parecer contraditório, mas muitas vezes é quando o tratamento acaba que nos vamos mais abaixo emocionalmente.

Somos sobreviventes, estamos livres do cancro. Mas precisamos descobrir como viver depois dele.

O que implica integrar toda a experiência na nossa história. Reconstruir identidade, confiança e, muitas vezes, redefinir projetos.
Implica aceitar que não voltamos exatamente à pessoa que éramos e descobrir quem queremos ser agora.

Fez dia 28 de fevereiro um ano que fiz a última sessão de radioterapia e terminei os tratamentos. Esperava sentir um cer...
02/03/2026

Fez dia 28 de fevereiro um ano que fiz a última sessão de radioterapia e terminei os tratamentos.

Esperava sentir um certo alívio, uma certa alegria que, confesso, foram quase inexistentes na altura.

A minha cabeça insistia em dizer-me "já acabou, devias estar feliz, já podes voltar ao normal" e comparava-se com quem parecia ter simplesmente retomado de onde tinha parado.

Só que não era como eu me sentia. Continuava cansada, a ter de lidar com os efeitos secundários - da quimio, da rádio, da hormonoterapia - e a precisar digerir tudo o que tinha vivido naquele ano.

Não é porque o tratamento acaba que os impactos físicos, emocionais e existenciais que o cancro traz desaparecem.

Pelo contrário, veio uma onda de tristeza, um luto do que tinha perdido no processo e memórias de momentos que ainda doíam.
Veio um período de confusão e indefinição, sobre como viver e quem ser agora.

E eu, mesmo com a cabeça a querer avançar rápido, dei-me tempo e espaço.
Para cuidar do que doía.
Para integrar as perdas.
Para me adaptar à nova realidade.
Para descobrir novos sentidos e criar as fundações de quem eu precisava ser depois do cancro.

A seu tempo, o alívio e a alegria vieram.
E um novo 'normal' também.

Podemos enlutar por diferentes perdas.  Por morte, separação, infertilidade, doença, ou qualquer outra mudança, mesmo qu...
20/02/2026

Podemos enlutar por diferentes perdas. Por morte, separação, infertilidade, doença, ou qualquer outra mudança, mesmo que tenha sido escolhida ou desejada.

Qualquer que seja o luto, ele não obedece a uma determinada forma 'certa', a um determinado calendário e a uma determinada expressão considerada adequada. Ele não tem regras.

Cada luto tem as suas particularidades, as suas nuances, os seus contornos próprios.
E cada pessoa atravessa-o à sua maneira, com a sua história, as suas vulnerabilidades, os seus recursos e os seus limites.

Não existem dois lutos iguais.

Uns manifestam-se no corpo, outros parece que o anestesiam.
Uns são mais sonoros, enraivecidos, outros mais silenciosos, vividos apenas internamente.
Uns trazem a culpa, ou o peso das perguntas sem resposta, do que ficou por dizer ou fazer. Outros trazem alívio, ou o impulso de avançar.
Uns pedem companhia, distração, movimento, outros pedem sossego, solidão ou tempo.

Na maioria das vezes, é o mesmo luto que, em momentos diferentes, vai pedindo coisas diferentes, ao seu próprio ritmo.

E é essa singularidade que nos orienta em como podemos acolher e integrar o luto.
É a forma como o ele se apresenta e se expressa que nos guia em como o podemos acomodar.

Por isso precisamos olhar para o nosso luto, reconhecê-lo, validá-lo, compreendê-lo. Em verdade, em segurança e amparados.

Há um tipo de luto bem subtil mas insidioso que começa com um diagnóstico. Começa nas salas de exames e nos gabinetes mé...
18/02/2026

Há um tipo de luto bem subtil mas insidioso que começa com um diagnóstico.

Começa nas salas de exames e nos gabinetes médicos, nas conversas que não queremos ter de ter, nas palavras que pesam e não nos largam.
Começa quando percebemos que o que era antes não será mais.

A doença chega e vivemos a perda da realidade que havia antes dela.
Uma perda ainda indefinida, sem contornos exatos, envolta em incerteza. Mas bem real.

Uma perda em todas as mudanças que não desejamos, nos projetos ou expectativas que vamos precisar reajustar, na imagem estranha que nos olha de volta no espelho.

Para os outros até podemos parecer os mesmos. Podemos até ouvir que estamos 'com bom aspecto' ou que nem parecemos doentes. Mas por dentro sabemos que somamos muitas perdas pelo caminho.

É um luto silencioso pelo corpo que não responde como antes, pela vida que precisou de ser reajustada, pela parte de nós que ficou lá atrás.

Um luto que muitas vezes f**a por reconhecer mas que também merece ser visto e cuidado.

Endereço

Guimarães

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