ANTEM - Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica

ANTEM - Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica A ANTEM representa os interesses dos profissionais e dos Serviços Médicos de Emergência

🚨 ATENÇÃO, PROFISSIONAIS DOS SERVIÇOS MÉDICOS DE EMERGÊNCIA Está a chegar um dos eventos mais relevantes do ano para que...
10/03/2026

🚨 ATENÇÃO, PROFISSIONAIS DOS SERVIÇOS MÉDICOS DE EMERGÊNCIA

Está a chegar um dos eventos mais relevantes do ano para quem atua no terreno e sabe que segurança operacional é sinónimo de salvar vidas.

A ANTEM apresenta um webinar imperdível dedicado à Segurança nas Operações Terrestres de SHEM com foco nos procedimentos essenciais para todos os que trabalham na emergência pré‑hospitalar.

📅 17 e 24 de março
🕘 21h
💻 Online – Plataforma Zoom
(Inscrição obrigatória)

Este evento apresentado pela Gulfmed Aviation Services, conta com a colaboração da EMES- European Medical Emergency Society e da SPEPH - Sociedade Portuguesa de Emergência Pré-Hospitalar, reforçando a qualidade técnica e científ**a desta iniciativa.

🔥 Porquê participar?
Porque a excelência operacional começa pela formação certa. Porque cada intervenção exige preparação, coordenação e segurança. Porque quem está no terreno merece o melhor conhecimento disponível.

📩 Inscreve-te já enviando email para: eventos@antem.pt
O link de acesso será enviado mais perto da data.

👉 Se és TEPH, Médico, Enfermeiro, Bombeiro, elemento das forças de segurança ou outro profissional ligado à emergência médica, este webinar foi feito a pensar em ti.
Não fiques de fora — garante o teu lugar e eleva o teu desempenho no terreno.

07/03/2026

Importa ainda referir que existe um médico no CODU a quem compete, em função dos dados disponíveis – muitas vezes escassos –, determinar o hospital de referência para o paciente em causa, ou seja, preferencialmente os cuidados definitivos.

Assim, o que a CTI–INEM afirma defender corresponde, em grande medida, a um procedimento que já existe no sistema. O que não foi referido prende-se com uma dificuldade operacional frequentemente apontada pelas equipas no terreno: a comunicação com o CODU e o hospital de destino.

Na prática, é impossível estabelecer contacto direto entre a equipa de resposta e a unidade hospitalar que irá receber o paciente, o que constitui uma limitação relevante para a articulação clínica e operacional.

Em suma, a intervenção da ex-Presidente da CTI–INEM assenta sobretudo em formulações retóricas, sem abordar de forma objetiva algumas das limitações estruturais e operacionais que efetivamente condicionam o funcionamento do sistema, revelando uma abordagem pouco consistente face à complexidade do tema.

07/03/2026

Não existe georreferenciação nem informação atualizada relativa às urgências.
Contudo, a ex-Presidente da CTI também não menciona um aspeto fundamental: a referência à disponibilidade do número de vagas para pacientes com determinadas patologias.

Mais uma vez, parece que a CTI–INEM se esqueceu de algumas variáveis imprescindíveis ao bom funcionamento do sistema. Entre elas, destaca-se igualmente a eventual inexistência de meios de comunicação da unidade que responde para o hospital para onde o paciente é evacuado.

𝗦𝗮𝗯𝗶𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗼𝘀 𝗰𝘂𝗶𝗱𝗮𝗱𝗼𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗿𝗲𝗰𝗲𝗯𝗲 𝗲𝗺 𝗣𝗼𝗿𝘁𝘂𝗴𝗮𝗹 𝗽𝗼𝗱𝗲 𝘃𝗮𝗿𝗶𝗮𝗿 𝗿𝗮𝗱𝗶𝗰𝗮𝗹𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗱𝗲 𝘂𝗺 𝗰𝗼𝗻𝗰𝗲𝗹𝗵𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗼 𝗼𝘂𝘁𝗿𝗼? A ciência diz-nos com...
06/03/2026

𝗦𝗮𝗯𝗶𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗼𝘀 𝗰𝘂𝗶𝗱𝗮𝗱𝗼𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗿𝗲𝗰𝗲𝗯𝗲 𝗲𝗺 𝗣𝗼𝗿𝘁𝘂𝗴𝗮𝗹 𝗽𝗼𝗱𝗲 𝘃𝗮𝗿𝗶𝗮𝗿 𝗿𝗮𝗱𝗶𝗰𝗮𝗹𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗱𝗲 𝘂𝗺 𝗰𝗼𝗻𝗰𝗲𝗹𝗵𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗼 𝗼𝘂𝘁𝗿𝗼?

A ciência diz-nos como salvar vidas, mas a política nem sempre acompanha.

✍️ Assine a petição:
🔗 Assine aqui: https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT129364
📢 Partilhe. Cada assinatura conta!

06/03/2026

Mas então a CTI do INEM não se debruçou sobre este tema? Não produziu qualquer análise séria ou fundamentada sobre o assunto?
Há coisas que não se entendem!

Durante anos foi promovida a narrativa de que o modelo de Suporte Imediato de Vida (SIV) representaria um salto qualitat...
06/03/2026

Durante anos foi promovida a narrativa de que o modelo de Suporte Imediato de Vida (SIV) representaria um salto qualitativo decisivo no sistema de emergência médica pré-hospitalar em Portugal. Contudo, a experiência acumulada no terreno e a análise objetiva do seu funcionamento revelam uma realidade substancialmente menos favorável.

Na prática, uma parte signif**ativa das decisões clínicas continua dependente da autorização do médico regulador do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU). Este desenho organizativo traduz-se num sistema excessivamente centralizado, que condiciona a capacidade de decisão das equipas presentes no local da ocorrência e pode introduzir atrasos operacionais precisamente nos momentos em que a rapidez e a autonomia clínica são determinantes para o desfecho do paciente.

Acresce um problema estrutural de sustentabilidade que raramente é assumido de forma clara: o país não dispõe de recursos humanos de enfermagem em número suficiente para sustentar, à escala nacional, o modelo SIV. Trata-se, portanto, de um modelo que aparenta robustez conceptual no plano teórico, mas que enfrenta limitações evidentes de operacionalização e continuidade.

Esta realidade contrasta com a evolução observada na maioria dos sistemas de emergência médica internacionais. Países como o Reino Unido, Canadá, Austrália e os Estados Unidos — bem como vários países europeus — estruturaram há décadas os seus sistemas em torno de paramédicos altamente qualif**ados, com educação e treino de nível superior, protocolos clínicos robustos e autonomia operacional para atuar no terreno. De referir que existem mais países europeus atualmente a migrar de forma muito tímida para o modelo com paramédicos.

Aliás, existe vária documentação de organizações europeias e mundiais com referências expressas aos paramédicos, são assumidos ao mais alto nível.

Não menos importante é a critíca continua aos Paramédicos, mas estão esquecidos que mais de 90% da literatura reconhecida no mundo do EMS é produzida por paramédicos, dirigida a técnicos de emergência médica e a paramédicos - em alguns casos até a médicos. Um número elevado de médicos e enfermeiros que são referências mundiais no EMS, são simultaneamente paramédicos.

Importa sublinhar que esta evolução não resultou de opções corporativas ou ideológicas. Resultou, antes, de decisões fundamentadas em evidência científ**a robusta. A literatura internacional demonstra de forma consistente que equipas compostas por profissionais altamente qualif**ados, com autonomia clínica e protocolos bem definidos, conseguem alcançar resultados clínicos comparáveis — e em muitos contextos superiores — aos modelos excessivamente médico-centrados. Simultaneamente, garantem maior eficiência operacional, maior rapidez de decisão clínica e melhor utilização dos recursos disponíveis.

Perante este enquadramento, torna-se legítimo questionar por que razão Portugal permanece frequentemente refém de debates corporativos e institucionais que desviam a discussão do essencial.

A questão central é apenas uma:

Que modelo serve melhor os pacientes e garante maior eficácia de um verdadeiro serviço médico de emergência?

Defender mais educação e treino, mais competências e maior autonomia clínica no pré-hospitalar não constitui qualquer afronta ou desvalorização de profissões existentes. Pelo contrário, trata-se de afirmar um princípio fundamental de organização dos sistemas de saúde modernos: as respostas assistenciais devem estruturar-se em função da competência técnica, da evidência científ**a e da eficiência operacional — e não da preservação de equilíbrios corporativos.

Persistir na manutenção de modelos organizativos que limitam a capacidade de decisão das equipas no terreno, ignorando a evolução internacional e a evidência disponível, representa um risco claro para a modernização e sustentabilidade do sistema.
A este problema acresce um facto cada vez mais visível: o atraso signif**ativo na prestação de cuidados diferenciados, resultante da necessidade de aguardar pela chegada de meios com capacidade de Suporte Avançado de Vida (SAV). Em muitos cenários críticos — paragem cardiorrespiratória, trauma grave ou acidente vascular cerebral — cada minuto perdido traduz-se em prognósticos mais graves e em vidas potencialmente comprometidas.

É ilusório acreditar que o modelo SIV, por si só, resolverá este problema estrutural. A escassez de profissionais de enfermagem torna altamente improvável a existência de recursos humanos suficientes para assegurar uma cobertura verdadeiramente ef**az de todo o território nacional.

E convém não esquecer uma evidência frequentemente ignorada no desenho das políticas públicas:
Portugal não se resume a Lisboa, Porto, Coimbra, Faro ou Setúbal.
Existe um vasto território — interior, rural e de baixa densidade populacional — onde os tempos de resposta são inevitavelmente mais longos e onde a capacidade de decisão clínica imediata no terreno assume um valor ainda mais crítico.
Em contexto de emergência médica, o que verdadeiramente determina o prognóstico do paciente não é a arquitetura institucional do sistema.

São apenas três fatores:
competência clínica, rapidez de intervenção e capacidade de decisão no terreno.

Os sistemas que compreenderam esta realidade há muito tempo são hoje aqueles que apresentam serviços de emergência médica mais eficientes, mais resilientes e verdadeiramente centrados no paciente.

Portugal não pode continuar a adiar este debate. Porque, em última análise, a criação de um verdadeiro serviço médico de emergência não é uma questão corporativa.
É uma questão de responsabilidade pública e de proteção efetiva da vida humana.

O Diretor-Executivo do SNS veio finalmente admitir a existência de problemas no INEM — algo que, para quem acompanha min...
06/03/2026

O Diretor-Executivo do SNS veio finalmente admitir a existência de problemas no INEM — algo que, para quem acompanha minimamente o setor, nunca foi novidade. O que já causa perplexidade é a sua afirmação de que o INEM terá “melhorado nos últimos anos”.

Perante tal declaração, impõe-se uma pergunta simples e direta: onde estão, concretamente, essas melhorias?
Na resposta operacional? Nos tempos de chegada? Na capacidade de resposta das equipas? Na estabilidade do sistema? Na transparência da gestão?

A verdade é que, para a esmagadora maioria dos profissionais e observadores do sistema, essas alegadas melhorias são, no mínimo, difíceis de identif**ar — quando não completamente inexistentes.

Num serviço público tão crítico como o sistema de emergência médica, as melhorias não se proclamam em declarações públicas — demonstram-se em resultados mensuráveis, consistentes e verificáveis.

Até lá, a narrativa de progresso arrisca-se a ser apenas isso: uma narrativa.

05/03/2026

📢 𝗔𝗻𝘂́𝗻𝗰𝗶𝗼 𝗖𝗶𝗲𝗻𝘁𝗶́𝗳𝗶𝗰𝗼 — 𝗥𝗲𝘃𝗶𝘀𝗼̃𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗟𝗶𝘁𝗲𝗿𝗮𝘁𝘂𝗿𝗮 𝗜𝗣𝗛𝗠𝗜

𝗠𝗼𝗱𝗼 𝗱𝗲 𝘁𝗿𝗮𝗻𝘀𝗽𝗼𝗿𝘁𝗲 𝗲 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝘃𝗲𝗻𝗰̧𝗼̃𝗲𝘀 𝗽𝗿𝗲́-𝗵𝗼𝘀𝗽𝗶𝘁𝗮𝗹𝗮𝗿𝗲𝘀 𝗻𝗼 𝘁𝗿𝗮𝘂𝗺𝗮 𝗽𝗲𝗻𝗲𝘁𝗿𝗮𝗻𝘁𝗲 𝘂𝗿𝗯𝗮𝗻𝗼: 𝗿𝗲𝘃𝗶𝘀𝗮̃𝗼 𝘀𝗶𝘀𝘁𝗲𝗺𝗮́𝘁𝗶𝗰𝗮 𝗲 𝗱𝗶𝗿𝗲𝘁𝗿𝗶𝘇 𝗱𝗲 𝗴𝗲𝘀𝘁𝗮̃𝗼 𝗰𝗹𝗶́𝗻𝗶𝗰𝗮 𝗱𝗮 𝗘𝗮𝘀𝘁𝗲𝗿𝗻 𝗔𝘀𝘀𝗼𝗰𝗶𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻 𝗳𝗼𝗿 𝘁𝗵𝗲 𝗦𝘂𝗿𝗴𝗲𝗿𝘆 𝗼𝗳 𝗧𝗿𝗮𝘂𝗺𝗮. 𝘛𝘢𝘨𝘩𝘢𝘷𝘪 𝘚, 𝘊𝘩𝘢𝘯𝘨 𝘎, 𝘔𝘢𝘩𝘦𝘳 𝘡, 𝘦𝘵 𝘢𝘭. 𝘑 𝘛𝘳𝘢𝘶𝘮𝘢 𝘈𝘤𝘶𝘵𝘦 𝘊𝘢𝘳𝘦 𝘚𝘶𝘳𝘨. 𝟤𝟢𝟤𝟨;𝟣𝟢𝟢:𝟣𝟥𝟨–𝟣𝟦𝟨.

O tempo até ao controlo definitivo da hemorragia tem sido demonstrado como o fator mais importante nos cuidados pré-hospitalares que pode influenciar a sobrevivência do paciente traumatizado com hemorragia. A literatura em trauma tem sugerido um benefício em termos de sobrevivência com uma abordagem “circulação primeiro” na gestão do paciente traumatizado, indicando que a redução do tempo até cuidados definitivos num centro de trauma deve ter prioridade sobre procedimentos pré-hospitalares como a intubação/controlo da via aérea e a administração intravenosa (IV) de fluidos.

Estudos em modelos animais demonstram que procedimentos pré-hospitalares em contexto de choque hemorrágico grave agravam a fisiologia — os fluidos IV diluem os fatores de coagulação e a ventilação com pressão positiva após intubação ou ventilação com bolsa-válvula-máscara reduz o retorno venoso ao coração, podendo comprometer a perfusão de órgãos vitais. Grandes organizações de trauma, como a Eastern Association for the Surgery of Trauma (EAST), reconhecem as limitações de determinados procedimentos pré-hospitalares. Em 2009, a EAST recomendou que o acesso IV em pacientes traumatizados fosse obtido apenas durante o transporte para o hospital e não no local do evento. Adicionalmente, recomendou que os fluidos pré-hospitalares fossem evitados em pacientes com trauma penetrante do tronco. Em 2018, a EAST recomendou contra a colocação rotineira de colar cervical em pacientes com trauma penetrante do pescoço.

Em algumas cidades dos Estados Unidos, como Filadélfia, Detroit e Sacramento, a polícia transporta preferencialmente pacientes com trauma penetrante para o centro de trauma mais próximo, em vez de aguardar a chegada dos serviços médicos de emergência (EMS). Esta prática levou à realização de vários estudos que analisaram a eficácia do transporte pela polícia e por viatura privada em comparação com o transporte por EMS. O comité de diretrizes da EAST constituiu um grupo de trabalho composto por 12 cirurgiões de trauma, médicos de medicina de emergência e peritos em EMS para rever os dados relativos ao transporte policial e por viatura privada de pacientes com trauma penetrante urbano e formular recomendações com base nos resultados.

O grupo utilizou a metodologia GRADE (Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation). Foram formuladas duas questões PICO (população, intervenção, comparador e outcome). Ambas incluíram adultos com trauma penetrante em contexto urbano, com tempo curto até cuidados definitivos. A PICO 1 comparou transporte policial versus transporte por EMS. A PICO 2 comparou transporte por viatura privada versus transporte por EMS. Os desfechos analisados incluíram mortalidade, necessidades transfusionais e desenvolvimento de complicações como insuficiência renal e síndrome de dificuldade respiratória aguda (ARDS). Foram incluídos estudos com pacientes com mais de 16 anos com trauma penetrante em contexto urbano. Foram excluídos estudos em animais, relatos de caso, editoriais e artigos de revisão. Todos os estudos foram realizados nos Estados Unidos e eram retrospectivos, prospetivos ou observacionais.

Para a PICO 1 (polícia vs EMS), foram analisados nove estudos. Os resultados demonstraram que os pacientes transportados pela polícia apresentaram maior taxa de sobrevivência até à alta hospitalar do que os transportados por EMS. Este achado foi também observado num estudo que demonstrou maior sobrevivência nos pacientes mais gravemente feridos (Injury Severity Score [ISS] > 15) quando transportados pela polícia. Outros estudos apresentaram resultados menos claros. Um estudo comparou transporte por suporte avançado de vida (ALS), polícia e suporte básico de vida (BLS). Nos pacientes mais gravemente feridos, não se verificou benefício do transporte por polícia ou ALS em relação ao BLS, levando os autores a questionar o papel dos procedimentos pré-hospitalares no trauma penetrante urbano. Outros estudos mostraram resultados semelhantes entre transporte ALS e transporte policial, reforçando a ideia de que os procedimentos realizados durante o ALS poderão não melhorar os resultados clínicos. O grupo formulou uma recomendação condicional a favor do transporte policial em detrimento da espera por EMS em adultos com trauma penetrante urbano. Dez autores votaram a favor da recomendação condicional e dois mantiveram posição neutra.

Relativamente à PICO 2 (viatura privada vs EMS), foram analisados quatro estudos, dois dos quais avaliaram sobrevivência até à alta hospitalar. O transporte por viatura privada esteve associado a maior taxa de sobrevivência até à chegada ao hospital em todos os estudos. Os autores votaram unanimemente a favor da recomendação de transporte privado em vez de aguardar a chegada do EMS, sendo que dez votaram por uma recomendação condicional e dois por uma recomendação forte.

Esta revisão apresenta várias limitações. Os estudos incluídos eram retrospectivos e observacionais, com as fragilidades inerentes a esses desenhos metodológicos. As maiores contribuições de pacientes provinham de estudos de coorte baseados em grandes bases de dados administrativas, suscetíveis a erros de registo, dados em falta e viés de seleção. Muitos estudos não distinguiram claramente entre transporte ALS e BLS. A adoção recente da transfusão sanguínea pré-hospitalar por muitos serviços de EMS poderá alterar os resultados em estudos futuros.

Com base na evidência disponível, os autores formularam uma recomendação condicional a favor do transporte policial ou por viatura privada em pacientes com trauma penetrante urbano, em vez de aguardar a chegada do EMS. Um volume signif**ativo de literatura sugere atualmente que muitas práticas tradicionais de trauma pré-hospitalar não melhoram os resultados clínicos, e os dados provenientes de grandes cidades onde a polícia transporta diretamente vítimas de trauma penetrante são considerados convincentes.

Como é natural, a ANTEM acompanha todas as audições da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao INEM, na Assembleia da...
04/03/2026

Como é natural, a ANTEM acompanha todas as audições da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao INEM, na Assembleia da República. Cada sessão reforça, de forma crescente, a convicção de que a insistência pública da associação quanto à necessidade de criação desta CPI se encontrava totalmente fundamentada e alinhada com a defesa do interesse público.

As declarações do autarca relativas ao funcionamento condicionado de uma viatura de emergência no Montijo levantam quest...
04/03/2026

As declarações do autarca relativas ao funcionamento condicionado de uma viatura de emergência no Montijo levantam questões graves que não podem ser relativizadas.

Um meio de emergência médica não é um recurso administrativo comum, nem um serviço de conveniência. Trata-se de um instrumento integrado no dispositivo nacional de resposta pré-hospitalar, cuja natureza jurídica e operacional exige continuidade, previsibilidade e disponibilidade permanente. A emergência não ocorre por janelas horárias. A doença súbita, o trauma grave ou a paragem cardiorrespiratória não escolhem o intervalo entre as 08h00 e as 20h00.

Operar um meio de emergência apenas 12 horas por dia representa, na prática, admitir que durante metade do período diário a população f**a privada de um recurso que foi publicamente anunciado como reforço da capacidade de resposta. Tal solução cria uma falsa perceção de cobertura e introduz desigualdade objetiva no acesso a cuidados urgentes, potencialmente violando o princípio da equidade na prestação de cuidados de saúde.

Mais grave ainda é a justif**ação apresentada: dificuldades do Instituto Nacional de Emergência Médica em assegurar equipas completas. Se o próprio organismo responsável pela coordenação da emergência pré-hospitalar reconhece incapacidade em dotar os meios existentes com tripulações permanentes, então qualquer anúncio de expansão do dispositivo - nomeadamente com novas SIV (Suporte Imediato de Vida) - carece de fundamento técnico, operacional e ético.

Não se trata apenas de abrir viaturas ou distribuir equipamentos. Cada SIV exige equipas qualif**adas, formação certif**ada, escala permanente e integração plena na rede nacional. Criar novos meios sem garantir previamente recursos humanos estáveis traduz-se numa política de número e aparência, não de eficácia e segurança.

A expansão do dispositivo sem capacidade de recrutamento e retenção é uma opção politicamente apelativa, mas operacionalmente irresponsável. Fragiliza o sistema, aumenta o risco de descontinuidade assistencial e expõe profissionais e utentes a contextos de maior vulnerabilidade.

Um sistema de emergência médica não pode funcionar por aproximação nem por remendos transitórios. Ou existe capacidade para assegurar funcionamento 24 horas por dia, 7 dias por semana, com equipas completas e devidamente qualif**adas - ou não se deve anunciar o meio como reforço efetivo da resposta.

Verif**a-se, pois, que o alegado “modelo” SIV não serve os interesses estratégicos do País nem garante aos portugueses a resposta "diferenciada" que merecem. Persistir nesta solução é insistir num remendo estrutural para um problema que exige reforma profunda.

Portugal não precisa de paliativos - precisa de ambição, rigor e visão. Precisa que todas as ambulâncias que respondem a pedidos de ajuda, sem exceção, sejam tripuladas por profissionais devidamente educados e treinados, com educação estruturada e treino contínuo, à semelhança do que acontece nos países desenvolvidos neste domínio. Precisa de verdadeiros clínicos SME - Técnicos de Emergência Médica, Técnicos de Emergência Médica - Avançados e de Paramédicos integrados num sistema coerente, com competências claras, certif**ação exigente e responsabilização efetiva.

O que está em causa não é uma querela corporativa, nem uma discussão académica. Está em causa a segurança clínica, a qualidade da resposta pré-hospitalar e, em última análise, a vida das pessoas.

Manter "modelos" híbridos, improvisados ou assentes em soluções de recurso é perpetuar desigualdades no acesso aos cuidados e aceitar padrões abaixo do que é exigível a um Estado moderno. A emergência médica pré-hospitalar não pode continuar a ser gerida com lógica de contenção política ou experimentalismo administrativo.

Ou se assume uma reforma estrutural séria, alinhada com as melhores práticas internacionais, ou continuaremos a assistir à degradação progressiva do sistema - sempre com os cidadãos a pagar o preço.

Tudo o resto são medidas paliativas.

Num domínio tão sensível como o pré-hospitalar, a responsabilidade institucional não é facultativa. É absoluta.

𝗘, 𝗮 𝘀𝗮𝗴𝗮 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗶́𝗻𝘂𝗮.... 𝗣𝗲𝗹𝗼𝘀 𝗽𝗶𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗺𝗼𝘁𝗶𝘃𝗼𝘀. Quando menos se espera, volta a surgir informação relevante sobre o funcio...
04/03/2026

𝗘, 𝗮 𝘀𝗮𝗴𝗮 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗶́𝗻𝘂𝗮.... 𝗣𝗲𝗹𝗼𝘀 𝗽𝗶𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗺𝗼𝘁𝗶𝘃𝗼𝘀.

Quando menos se espera, volta a surgir informação relevante sobre o funcionamento do Instituto Nacional de Emergência Médica, informação essa que, pela sua gravidade, não pode nem deve ser ignorada.

O que está em causa não são meros detalhes administrativos. Mas situações de manifesta gravidade.

É imperativo que a tutela - designadamente o Ministério da Saúde - preste esclarecimentos claros, objetivos e completos. O silêncio da tutela, apenas agrava a perceção de descontrolo e fragilidade.

Num setor onde cada decisão pode signif**ar a diferença entre a vida e a morte, não há espaço para opacidade, improviso ou gestão política da narrativa. Há, sim, obrigação de transparência, responsabilidade e consequência.

A população merece garantias. E o país exige respostas.

Portugal encontra-se, neste momento, a trilhar um caminho profundamente preocupante no que respeita ao "sistema" de emer...
04/03/2026

Portugal encontra-se, neste momento, a trilhar um caminho profundamente preocupante no que respeita ao "sistema" de emergência pré-hospitalar. As opções estratégicas e as decisões que têm vindo a ser adotadas não apenas falham na consolidação de padrões técnicos e operacionais exigíveis, como indiciam um retrocesso efetivo na capacidade de resposta à população.

O serviço médico de emergência (inexistente em Portugal) exige rigor, planeamento estruturado, liderança qualif**ada e investimento sustentado. Não se compadece com improvisos, soluções avulsas ou decisões orientadas por critérios meramente administrativos ou conjunturais. Quando se fragilizam equipas, se desvalorizam competências diferenciadas e se relativizam padrões de educação e treino, bem como padrões clínicos, o impacto faz-se sentir inevitavelmente na qualidade da assistência prestada - e, em última instância, na segurança dos cidadãos.

É inaceitável que, num setor tão sensível e determinante para salvar vidas, se caminhe para modelos que desestruturam qualquer sistema realmente ef**az, geram desigualdades territoriais e comprometem a eficiência operacional. A ausência de uma visão estratégica clara e sustentada coloca ainda mais em risco a já deficiente e insuficiente resposta.

Uma política pública responsável deve reforçar - e não diluir - os referenciais de qualidade, as competências profissionais e a articulação institucional. Persistir num rumo que ignora estes princípios representa uma escolha política com consequências diretas na vida das pessoas.

Enquanto associação profissional, não podemos deixar de alertar para os riscos deste trajeto. A defesa da resposta pré-hospitalar tecnicamente robusta, profissionalmente qualif**ada e centrada no interesse público não é uma posição corporativa - é um imperativo ético e institucional.

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Lisbon

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