10/02/2026
As mulheres portuguesas que mais compaixão me suscitam são as perimenopáusicas que trabalham em empresas.
Não lhes invejo nadinha o ambiente de trabalho. Numa aula do curso que estive a seguir, a formadora (psicóloga) referiu um episódio contado por uma paciente dela.
Durante uma entrevista de trabalho que até estava a correr bem, ela precisou de usar um leque para aliviar uma onda de calor. O entrevistador olhou para ela com cara de horror e disse algo como “Ai. não vai andar a trabalhar de leque na mão, pois não?”.
Escusado será dizer que não obteve o emprego.
Só um pequeno exemplo daquilo que poderá ser trabalhar num ambiente onde a menopausa é praticamente um palavrão.
Curiosamente os estudos indicam que a “queda de produtividade” que tanto temem as mulheres na perimenopausa, na verdade não tem lugar.
Nem mesmo depois de uma noite mal dormida!
Não é coincidência que foi precisamente uma exigência de abafar a concorrência feminina em âmbito profissional que, nos anos ‘50, deu impulso a um novo uso das indústrias da moda/cosmética/das dietas etc.
Estas indústrias receberam o impulso de começar a funcionar como máquinas para criar um terceiro turno de trabalho às mulheres: o trabalho infindável de tentar fazer encaixar o corpo em moldes impossíveis, congelar no tempo, e jamais trazer a sua fisiologia para o lugar de trabalho.
Vale a pena ouvir ou ver este episódio.
Tudo no link da bio.