13/02/2026
Depois de há um ano ter escrito um livro de reflexões com estrutura de poema, por estes dias tenho ensaiado a prosa como forma de refletir, aqui f**a a de hoje.
:: A Tirania da Desinformação ::
Vivemos num verdadeiro campo de batalha invisível, onde a disputa já não é por território, mas pela nossa atenção. Todos os dias somos expostos a uma avalanche de conteúdos, opiniões, vídeos, notícias, tendências e participamos nessa dinâmica quase sem perceber.
Observamos, reagimos, consumimos.
Mas, no final do dia, o que é que realmente f**a? Que pensamento amadureceu? Que verdade se consolidou dentro de nós?
Muitas vezes, o que resta é um ruído difuso, uma sucessão de ideias superficiais que não criam raiz. Estamos cheios de estímulos e, paradoxalmente, cada vez mais vazios.
Sentimo-nos desconectados, mas continuamos a procurar fora as respostas que só poderiam nascer dentro.
Talvez a desconexão não venha da falta de informação, mas do excesso dela e da ausência de reflexão verdadeira.
Pergunto-me se, nesta busca constante por orientação externa, não nos teremos afastado da nossa própria autoridade interior.
Da capacidade de pensar criticamente. De sentir com profundidade. De discernir. Aquilo que nos distingue das máquinas não é a velocidade com que processamos dados, mas a consciência com que lhes damos signif**ado.
No entanto, começamos a viver como se fôssemos extensões de algoritmos, reagindo mais do que escolhendo.
Olhamos para trás e já quase não nos reconhecemos naquilo que fomos. Olhamos para o futuro e sentimos incerteza. E no presente, f**amos suspensos entre expectativas vendidas como sonhos e uma realidade que raramente corresponde ao que nos prometeram. Há uma sensação de esmagamento, como se estivéssemos entre o que era e o que ainda não sabemos ser.
Neste contexto, sonhar fora do padrão tornou-se um ato de rebeldia. Pensar de forma autónoma, questionar narrativas dominantes, recusar viver anestesiado, tudo isso exige coragem.
Talvez sejam precisamente esses que ousam manter a lucidez e a imaginação viva que irão fazer a diferença. Não num futuro distante. Mas agora.
A questão é simples e exigente ao mesmo tempo:
onde tens colocado a tua atenção?
E que tipo de ser humano estás a alimentar com ela?