30/04/2026
Recentemente participei numa vivência de 10 semanas. 🌹 Esta jornada revelou o percurso interior das mulheres que aprenderam a sobreviver afastando-se do corpo, das emoções e do feminino — e que, mais tarde, são chamadas a regressar.
E há algo que se tornou muito evidente para mim ao longo deste processo e que também sinto ao longo do meu percurso profissional.
Muitas mulheres dizem que se sentem perdidas.
Mas, na maioria dos casos, não se trata apenas de “não saber o que fazer”.
Trata-se de falta de consciência.
De não se conhecerem verdadeiramente, de não compreenderem os seus padrões, emoções, necessidades e ciclos, de viverem afastadas de si próprias há demasiado tempo. Isso não se resolve com respostas rápidas, nem com soluções superficiais.
Exige trabalho, tempo e disponibilidade para olhar para dentro.
Uma das coisas mais importantes neste tipo de processos são os espaços que se criam.
Espaços livres de julgamento.
Onde é possível falar, expressar, partilhar. Sem medo.
E é precisamente isso que permite aceder a partes de nós que estavam escondidas.
Partes que no dia a dia não têm espaço, que f**am guardadas, silenciadas ou até negadas.
O que também observei — e que vejo diariamente — é que muitas mulheres não fazem ideia por onde começar.
E quando surge um programa, um processo estruturado, um espaço de desenvolvimento… muitas recuam.
Dizem que não, adiam, evitam.
Não porque não precisem.
Mas por medo.
Medo do desconhecido. Medo do que podem encontrar. Medo de sair do lugar onde estão — mesmo que esse lugar já não faça sentido.
E, sem perceberem, fazem uma escolha silenciosa:
continuam onde estão.
Não avançam. Não aprofundam. Não se escolhem.
E a sensação de estar perdida mantém-se.
A maior aprendizagem que levo desta experiência é simples:
as mulheres precisam de começar a dizer mais vezes sim a si próprias.🗝️
Sim ao seu crescimento.
Sim ao desconforto que faz evoluir.
Sim a espaços onde podem ser verdadeiramente quem são.
Porque não basta querer mudar.
É preciso participar ativamente nesse processo.
O autoconhecimento não acontece por acaso.
Acontece quando há decisão.
E talvez a verdadeira questão não seja:
“o que é que eu faço?”
Mas sim:
“estou disponível para me escolher?” 🌱