28/12/2025
Há 13 anos, o Natal aconteceu noutro lugar
Desde há 13 anos que o Natal deixou de ser apenas uma data no calendário.
Em 2012, passei-o em Boudhanath, no Nepal, junto à grande stupa. Sob o olhar vazio e compassivo do Buda, vivi dias de silêncio, oração e magia. Lembro-me do frio da manhã, do som melodioso dos mantras, do rodar constante das rodas de oração. Lembro-me, acima de tudo, de uma grande alegria e de uma paz interior que nunca mais me abandonaram.
Foi em Kathmandu que me tornei praticante da via do Buda, depois de um retiro de cinco semanas no mosteiro de Kopan. Desde então, tenho seguido este caminho.
Os ensinamentos do Buda chegaram devagar. Como o som das folhas das árvores ao vento, quase impercetíveis no início, mas constantes. São palavras simples e profundas, que pedem escuta, contemplação e prática.
Com o tempo, aprendi que o Dharma vive no dia a dia. É refúgio nos momentos bons e nos momentos difíceis. A prática deixou de estar apenas na meditação sentada e passou a fazer parte da vida: ao acordar, nas orações, nas refeições, no cuidado com os outros, no silêncio, na forma como escuto a terra e a natureza.
Seguir os passos do Buda não me afastou do mundo. Aproximou-me dele com mais amor e compaixão. Ensinou-me a olhar o outro, a agir com consciência, a escutar antes de reagir e a confiar no ritmo da vida.
Treze anos depois, continuo a caminhar. Não para me tornar alguém diferente, mas para reconhecer, pouco a pouco, a minha natureza profunda que é a natureza de Buda.