21/01/2026
"Para Chico Xavier e para o Espiritismo, a homossexualidade jamais foi tratada como erro, pecado ou doença. Essa compreensão parte de um princípio simples e profundo: o espírito não tem s**o. O corpo é instrumento temporário, a consciência é eterna. Por isso, Deus não avalia corpos, avalia consciências. Não julga orientações afetivas, mas a forma como cada ser ama, respeita e age no mundo.
Chico ensinava que ninguém nasce espiritualmente equivocado. Cada encarnação é uma experiência educativa, e a orientação sexual faz parte das vivências possíveis do espírito ao longo de múltiplas existências. Vidas sucessivas em corpos masculinos e femininos moldam registros emocionais complexos, que se expressam de maneira natural na experiência atual. Isso não é punição, nem prova de inferioridade moral. É trajetória.
Na visão espírita, o que realmente importa diante da Lei Divina são os atos. Amor vivido com responsabilidade, respeito ao outro, fidelidade aos próprios valores, honestidade nas relações e caridade no cotidiano. Esses são os critérios espirituais. O afeto, quando sincero e ético, nunca foi condenado pela espiritualidade superior.
Chico Xavier foi firme ao afirmar que o preconceito, sim, constitui uma falha moral grave. Julgar, humilhar, excluir ou violentar alguém por sua orientação sexual gera sofrimento desnecessário e profundo desequilíbrio espiritual. Para ele, muitas dores associadas à homossexualidade não nascem da condição em si, mas da intolerância social e religiosa que nega dignidade, pertencimento e amor.
O Espiritismo ensina que a evolução não acontece pela repressão, mas pela compreensão. Não se ascende ferindo o outro, nem se honra a Deus negando humanidade a alguém. Toda forma de amor que promove cuidado, responsabilidade e crescimento moral está alinhada com as leis divinas.
Assim, Chico devolveu ao ser humano uma verdade libertadora: ninguém é menor por amar de forma diferente. O que eleva ou compromete o espírito não é quem se ama, mas como se vive, como se trata o próximo e como se escolhe agir diante da própria consciência."