03/04/2026
A forma como nos vemos, muitas vezes, não começou em nós.
Talvez tenhas crescido a acreditar que havia algo em ti que precisava de ser ajustado. Que a forma como reagias era “demais”, que a tua intensidade precisava de ser controlada, que sentir profundamente era um exagero que devia ser corrigido. E, sem te aperceberes, foste aprendendo a conter reações, a filtrar o que sentias antes mesmo de perceberes o que era.
Com o tempo, isso deixa de ser consciente. Já não é alguém a dizer-te, és tu a antecipar, a ajustar, a reduzir-te para caber melhor nos lugares onde estás.
Mas há uma coisa importante: a tua sensibilidade nunca foi o problema.
O que marcou foram os contextos onde aquilo que sentias não teve espaço, onde foste levada a duvidar da legitimidade das tuas emoções, onde a tua forma de sentir foi interpretada como excesso em vez de ser reconhecida como parte de quem és.
E quando isso se repete, instala-se uma espécie de vigilância interna. Começas a observar-te por dentro, a questionar reações, a suavizar expressões, a esconder partes tuas para evitares voltar a sentir que estás “a mais”. Só que sentir não é um erro que precise de ser corrigido.
A tua sensibilidade é a forma como te ligas ao mundo, como percebes detalhes que passam despercebidos, como te envolves, como crias signif**ado nas coisas. É também o que te permite estabelecer relações profundas, compreender, cuidar, estar.
O que muitas vezes precisas não é sentir menos.
É estar em espaços onde não tenhas de te explicar por sentir como sentes.
E talvez valha a pena parar um momento e perguntar:
quem te ensinou a esconder o que sentes?
Se este texto te encontrou no momento certo, guarda-o.
Há coisas que precisamos de reler quando nos voltamos a esquecer de nós.
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