04/03/2026
Ao preparar o último módulo da nossa formação de hipnoterapeuta, regressei a este texto e confirmei o que tantas vezes se observa na prática: chegam ao consultório clientes com perturbação de luto prolongado, ou dito de forma mais compreensível, um luto patológico que frequentemente se mascara e acaba diagnosticado como depressão.
Um padrão muito comum aparece em pessoas entre os 60 e os 80 anos que procuram apoio por causa de uma tristeza profunda, de uma depressão crónica já identificada ou de insónias causadas por sonhos perturbadores. Ao longo da sessão, surge com clareza que a pessoa fala dos pais falecidos como se tivessem apenas saído de casa e ainda aguardasse o regresso deles. À primeira vista, pode parecer apenas uma saudade muito intensa, algo natural. No entanto, os efeitos na vida do cliente revelam-se muitas vezes devastadores: persiste, a nível inconsciente, um sentimento de abandono ou uma perda profunda de sentido de vida, porque aqueles pais, por quem nutria um amor imenso, deixaram realmente de existir.
Uma das intervenções iniciais, antes de avançar para as técnicas específicas de resolução de luto patológico, passa por pedir ao cliente que diga em voz alta e clara: "A minha mãe/pai morreu". Esse momento provoca quase sempre um choque emocional forte, mas revela-se fundamental para começar a libertar a energia mental que ficou presa.
Uma vez aplicadas as técnicas apropriadas, o cliente sai do consultório visivelmente mais leve, com um alívio palpável e com uma nova perspetiva para a própria vida.