29/01/2026
Nos dias em que os ventos atravessam Portugal com intensidade, somos convidados a olhar para a natureza não como ameaça, mas como mensagem.
O vento, impetuoso e imprevisível, traz a energia da mudança. É o sopro que acelera processos, que desmonta o que já não está firme e nos obriga a rever estruturas — externas e internas. Há uma força feminina (Iansã)neste movimento, corajosa e transformadora, que nos ensina que nem toda a mudança é suave, mas toda a mudança é necessária.
Na terra, nas florestas e nos campos, sente-se a presença do guardião silencioso da vida(Oxóssi). A natureza observa, adapta-se e continua. Mesmo quando é ferida, mostra-nos caminhos de sobrevivência, equilíbrio e respeito. Há uma inteligência ancestral que nos lembra a importância de cuidar, proteger e agir com consciência.
E quando chega o momento de agir, reconstruir e proteger, desperta em nós a força da ação(Ogum). A coragem prática, o trabalho conjunto, a determinação de quem não recua perante a adversidade. Está nas mãos que ajudam, nas equipas no terreno, na solidariedade que surge sem ser pedida.
Este encontro entre vento, terra e ação humana fala-nos de realinhamento.
Nada acontece por acaso, mas tudo pede atenção, responsabilidade e presença.
Que saibamos escutar o que o vento levou.
Cuidar do que a terra ainda sustém.
E agir com consciência para construir o que vem a seguir.
Porque, no fundo, a natureza não está fora de nós.
Ela move-se conosco, dentro de nós,
lembrando-nos que equilíbrio não é ausência de tempestade,
mas capacidade de atravessá-la juntos.
Quando o vento passa, não f**a apenas o que resistiu — f**a o que aprendeu a transformar-se.
Neste momento de perda, que cada gesto de cuidado seja luz para quem caminha em dor.
A quem sofre, a quem perdeu, a quem chora: que nunca falte colo, tempo e silêncio para atravessar a dor. Não estão sozinhos.
Em Amor