15/07/2017
Por muito tempo sempre tentei realmente compreender a importância de ser natural. Muitas coisas que leio e vejo falam na importância de ser natural, de aceitar o que a vida nos trás, de fluir com a vontade na nossa natureza, de agir de acordo com o que flui no momento. Nunca me senti muito confortável com a ideia de não ter controlo sobre nada, de apenas me deixar ir na corrente dos acontecimentos internos e externos. Ironicamente a resposta surgiu naturalmente.
Gosto da ideia de criar, de puder decidir sobre a minha experiência, de ser ativo, criativo, decidir sobre a minha realidade. Acontece que sempre que sinto que não tenho controlo, fico perdido, sem foco, afeta-me bastante a mente, as emoções e até o corpo físico. Sempre que isto acontece fico sem saber o que fazer, quanto mais me esforço para ultrapassar mais instável fico. Até que acabo por desistir e passado algum tempo tudo volta ao normal. E esta foi a minha primeira pista.
Nestas alturas meditar é praticamente impossível, a minha mente está cheia de pensamentos de dúvida, preocupação e medo. Estava cheio de pensamentos e sensações que não queria sentir. Lembrei-me do Osho e o conceito de catarse, o deixar sair, expressar, aceitar todas as emoções sejam elas positivas ou negativas. Isto foi uma pequena grande revelação, percebi que estava cheio. Cheio de pensamentos e emoções que não queria sentir, e ao reprimir estava a acumular, não tinha espaço para mais nada. Não me permitia expressar. Compreendi então que somos canais, recebemos energia através dos últimos chacras, em forma de pensamentos, esses pensamentos criam uma energia emocional e que vão motivar ações. Todo este percurso desde a energia subtil a sua materialização não deve ser interrompida, ela tem de fluir e expressar-se. Se isso não acontece acontecem os bloqueios, e a energia vai acabar por se manifestar na tua mente, nas emoções ou no teu corpo. Ela está lá e vai la estar até se expressar de alguma forma. Ser natural é apenas deixar que a energia se manifeste, se expresse, através de mim. Apenas deixar-me levar por ela. Se estou triste e tenho vontade de chorar, choro! Se estou irritado e tenho vontade de soltar essa raiva, solto! E se ela lá está assumo essa responsabilidade, não me vou vitimizar, fui eu que de alguma forma ajudei a criar, aceito. Aquilo que manifesto é minha responsabilidade, a qualidade das minhas experiencias são definidas pelas minhas crenças, julgamentos, pensamentos.
Imagino um projetor, a luz que entra é branca, neutra, o filme é o que vai definir o aspeto em que a luz neutra se vai manifestar e a tela é onde se manifesta. A luz é a energia, o filme a nossa mente, a tela o mundo físico. A energia vai sempre fluir para nós, a forma como ela se manifesta através de nós depende da qualidade dos nossos pensamentos. E mesmo que não tenhamos os melhores pensamentos, não podemos reprimir, devemos expressar, deixar sair, aceitar. E também não devemos ficar agarrados a boas experiencias e obcecados.
Para não comprometer a livre fluidez energética aceito o que passa no momento e conscientemente mantenho o foco em ideias e pensamentos leves. É uma prática difícil inicialmente, exige estar consciente em todos os momentos. Mas proporciona equilíbrio, autoconhecimento, clareza, leveza e energia.