16/04/2025
Aos que ainda sentem que existe algo mais…
Há uma inquietação em mim. Um chamamento silencioso, como se a realidade fosse apenas uma fina camada sobre algo muito mais vasto, muito mais verdadeiro.
Não tenho todas as respostas — talvez nem tenha nenhuma — mas trago todas as perguntas comigo.
Quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos?
E… o mais importante: por que vivemos tão distraídos da beleza de simplesmente ser?
Sinto que corremos atrás de verdades absolutas como se isso nos fosse dar paz, mas talvez a paz esteja exatamente no contrário: no silêncio, na aceitação do mistério, na rendição à vastidão que nos escapa.
Tudo faz parte de um todo — mesmo aquilo que não compreendemos.
Mesmo a dor. Mesmo o caos. Mesmo o vazio.
E se parássemos, só por um momento, de tentar controlar tudo?
E se começássemos a olhar à nossa volta com olhos novos — como se o mundo fosse feito de significados invisíveis e de ligações que ainda não sabemos nomear?
Talvez a realidade não seja algo fixo.
Talvez seja algo que se cria a cada instante, com cada pensamento, com cada gesto, com cada respiração consciente.
E talvez a verdadeira revolução não esteja fora, mas dentro.
Começa quando alguém — como eu, como tu — ousa perguntar:
E se houver mais?
Talvez nunca nos tenham ensinado a olhar para dentro com coragem.
Fomos treinados para seguir caminhos prontos, viver vidas apressadas, medir valor com números e sucesso com reconhecimento.
Mas há algo em nós — antigo, sereno, eterno — que não cabe nessas fórmulas.
Essa parte de nós… só desperta no silêncio.
Só floresce quando paramos de fingir que sabemos quem somos.
E começamos, finalmente, a sentir.
Sinto que viemos aqui para mais do que sobreviver.
Viemos para lembrar. Para criar. Para tocar uns aos outros com presença.
Viemos para fazer perguntas juntos, sem medo do que podemos encontrar.
Porque o mistério não é o inimigo da verdade.
O mistério é a verdade em forma de convite.
Se estás a ler isto e algo dentro de ti vibra, mesmo que seja só um eco…
Então já não estás sozinho.
E eu também já não estou.
Somos fios do mesmo tecido.
Fragmentos do mesmo sonho.
E talvez, só talvez… este seja o começo de algo novo.
Rituais by Joana Valence