01/03/2026
Nos últimos dias vi a divulgação de um encontro de “therians” em Vila Real.
Adolescentes e jovens que se identificam como animais, que se vestem, comportam e apresentam dessa forma em grupo.
Mais do que polémica, isto precisa de reflexão.
Não escrevo este texto para ridicularizar. Nem para atacar.
Escrevo porque me preocupa a facilidade com que estamos a normalizar sinais que podem esconder sofrimento.
A adolescência é uma fase de procura intensa de identidade. É o tempo das perguntas grandes. Quem sou eu. Onde pertenço. Como me sinto aceite.
Quando a necessidade de pertença é tão forte que a identidade começa a fragmentar-se, precisamos de parar e olhar com seriedade.
Nem tudo o que ganha visibilidade nas redes é saudável só porque é partilhado.
Nem tudo o que é tendência é inofensivo só porque é coletivo.
Por trás de muitos destes movimentos podem existir jovens que se sentem deslocados, incompreendidos, sozinhos. Jovens que encontram numa identidade alternativa uma forma de aliviar dor, de sentir comunidade, de escapar a uma realidade interna difícil.
O problema não é o encontro em si.
O problema é a falta de investimento sério e consistente na saúde mental dos nossos jovens.
Faltam psicólogos nas escolas.
Faltam espaços seguros de escuta.
Faltam adultos emocionalmente disponíveis.
Falta prevenção.
Entre normalizar tudo e patologizar tudo existe um caminho mais responsável. Chama-se avaliar. Chama-se acompanhar. Chama-se não ignorar sinais.
Os jovens não precisam de julgamento.
Precisam de orientação.
Precisam de adultos firmes e presentes.
A pergunta não é se devemos aceitar ou rejeitar.
A pergunta é: estamos realmente a cuidar da saúde mental desta geração?
Porque quando a identidade se constrói a partir da fuga, algo merece atenção.
E fechar os olhos nunca foi solução.
Se és pai, educador ou trabalhas com jovens, este é um tema que não deve ser tratado como curiosidade de internet. Deve ser tratado como prioridade de saúde pública.
Cuidar da mente dos nossos jovens não é exagero. É responsabilidade.