02/28/2026
“O tempo passou.
Não pediu licença. Não teve piedade.
Levou a juventude, endureceu os ossos, cobrou cada escolha.
Este uniforme ficou pendurado, esquecido por muitos.
Mas não foi ele que abandonou a luta — fui eu que fui chamado para outras batalhas.
Batalhas sem plateia, sem faixa, sem aplauso.
Onde a derrota vinha em silêncio e a vitória não deixava medalha.
Anos dedicados à arte marcial não desaparecem.
Eles se escondem na postura, no olhar, no autocontrole quando o mundo provoca.
O Taekwondo não ficou no dojô.
Ele caminhou comigo no trabalho, na dor, nas perdas, na disciplina de continuar quando desistir parecia mais fácil.
Hoje, ao encarar esse dobok gasto, não vejo passado.
Vejo dívida.
Vejo compromisso não cumprido comigo mesmo.
O corpo já não responde como antes.
Mas a mente é mais afiada.
O espírito, mais pesado — carregado de cicatrizes que ninguém ensinou a tratar.
Voltar a vestir esse uniforme não é nostalgia.
É confronto.
É aceitar que o guerreiro envelheceu, mas não se rendeu.
Que honra não enferruja.
Que disciplina não caduca.
Não volto para provar nada a ninguém.
Volto porque quem abandona o caminho perde mais do que técnica — perde identidade.
Se for para vestir novamente, que seja com respeito ao que fui,
lealdade ao que sou
e coragem para encarar o que ainda preciso enfrentar.
Porque o verdadeiro combate nunca termina.
Ele apenas espera o momento em que o guerreiro decide voltar.”**