Regina Dutra Psicóloga

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Hoje o mundo se despede de Edgar Morin.Já o citei inúmeras vezes em atendimentos, estudos e diferentes trabalhos, porque...
05/30/2026

Hoje o mundo se despede de Edgar Morin.
Já o citei inúmeras vezes em atendimentos, estudos e diferentes trabalhos, porque seu pensamento me ensinou algo precioso: a vida não cabe na simplificação.
Talvez uma das maiores violências que fazemos conosco seja tentar nos reduzir a explicações fáceis.
Mas o humano é complexo.
Somos feitos de contradições.
De ambiguidades.
De dores e desejos coexistindo.
De amor e medo.
De coragem e insegurança caminhando juntos.
Na clínica, aprendo todos os dias que o sofrimento raramente é linear e a cura também não.
Aprender a olhar a vida pela lente da complexidade pode ser profundamente esclarecedor. E, terapeuticamente falando, pode ser também um convite: ao autoconhecimento, à compaixão consigo mesmo e à coragem de sustentar perguntas antes das respostas.
Nem sempre existe um “ou”.
Muitas vezes, a vida é um “e”.

Obrigada, Edgar Morin, por nos lembrar que compreender o humano exige delicadeza diante do que é complexo.

Neste Dia das Mães, talvez valha menos celebrar imagens idealizadas de maternidade e mais reconhecer a vida como ela é.H...
05/10/2026

Neste Dia das Mães, talvez valha menos celebrar imagens idealizadas de maternidade e mais reconhecer a vida como ela é.

Há mães que amam profundamente e ainda assim se sentem cansadas.
Mães que cuidam enquanto também tentam se reencontrar.
Mães atravessadas por culpa, sobrecarga, medo, ambivalências e silêncios que raramente cabem nas homenagens prontas.

Existe beleza na maternidade real, não na perfeição, mas na presença possível, nos recomeços cotidianos, no cuidado que insiste mesmo em meio aos limites humanos.

E também é importante lembrar que esta data nem sempre é simples:
há quem viva o luto, a ausência, relações difíceis, o desejo não realizado de maternar, a decisão consciente de não maternar ou feridas antigas ligadas ao materno.

Nem toda mulher deseja ser mãe e isso também merece respeito, legitimidade e humanidade.

Que possamos olhar para tudo isso com mais verdade, delicadeza e menos idealizações.

Feliz Dia das Mães a todas as mulheres que vivem o cuidado em suas múltiplas formas.

Nem sempre o maior problema no ambiente de trabalho é a complexidade das tarefas.Muitas vezes, é a forma como as pessoas...
04/30/2026

Nem sempre o maior problema no ambiente de trabalho é a complexidade das tarefas.
Muitas vezes, é a forma como as pessoas se comunicam.
Ao longo das relações profissionais, pequenos ruídos se acumulam:
uma orientação pouco clara,
um comentário feito no impulso,
uma conversa que poderia alinha, mas gera desgaste.
Comunicação não é apenas transmissão de informação.
É construção de sentido, de vínculo e de ambiente.
E isso tem impacto direto em:
• produtividade
• qualidade das entregas
• clima organizacional
• saúde emocional das equipes
Um ponto que considero central: não é só o que é dito, mas o que é compreendido.
Por isso, clareza não é detalhe.
É responsabilidade.
Assim como também é responsabilidade: saber o momento de falar, sustentar conversas difíceis com respeito e não alimentar dinâmicas que fragilizam o ambiente, como exemplo, a negatividade constante e a comunicação indireta.
Ambientes profissionais saudáveis não surgem por acaso.
Eles são construídos, diariamente na forma como as pessoas se comunicam.
E talvez a pergunta mais importante seja:
Que tipo de ambiente eu estou ajudando a construir com a minha comunicação?

Relacionamentos não se fragilizam apenas pelos conflitos internos, mas também pelas interferências externas que atravess...
03/31/2026

Relacionamentos não se fragilizam apenas pelos conflitos internos, mas também pelas interferências externas que atravessam o vínculo.
No contexto clínico, é comum observar casais que se veem profundamente impactados por opiniões, críticas e expectativas vindas de terceiros, especialmente da família. Ainda que essas vozes, muitas vezes, estejam associadas ao cuidado ou à preocupação, seus efeitos podem ser desorganizadores quando ocupam o espaço que deveria pertencer ao casal.
Uma relação saudável exige não apenas diálogo e construção conjunta, mas também a capacidade de estabelecer limites claros.
Blindar a relação não significa isolamento, mas discernimento.
Significa reconhecer que há um território que é próprio do casal: seus acordos, conflitos, decisões e afetos.
Quando esse espaço é constantemente atravessado por múltiplas vozes, o vínculo tende a enfraquecer.
Sustentar o “nós” implica, portanto, desenvolver uma postura ativa de proteção da relação, filtrando o que vem de fora e fortalecendo o que se constrói dentro.
Em última instância, trata-se de maturidade emocional:
saber que nem toda opinião precisa ser acolhida e que preservar o vínculo é, também, uma escolha.

Às vezes olhamos para um casal que está junto há muito tempo e imaginamos que o segredo esteja na ausência de conflitos....
03/15/2026

Às vezes olhamos para um casal que está junto há muito tempo e imaginamos que o segredo esteja na ausência de conflitos.

Mas relações duradouras não nascem da perfeição.
Elas se constroem na travessia.

Ao longo dos anos, duas pessoas atravessam mudanças, perdas, alegrias, silêncios, recomeços.
Há momentos de proximidade e momentos em que é preciso reaprender a se encontrar.

Um vínculo não se sustenta porque tudo sempre deu certo.
Ele se sustenta porque, de algum modo, as duas pessoas continuam escolhendo cuidar do que existe entre elas.

Na clínica com casais, vejo muitas histórias diferentes.
Mas uma coisa aparece com frequência:
relações que atravessam o tempo não são as que evitam o trabalho do vínculo, são as que aceitam fazê-lo.

Alguns vínculos amadurecem assim:
um pouco a cada dia.






No trabalho com famílias, refletimos sobre algo essencial: a falta não é apenas ausência, ela também é movimento que est...
03/04/2026

No trabalho com famílias, refletimos sobre algo essencial: a falta não é apenas ausência, ela também é movimento que estrutura a existência. Quando tentamos eliminar toda a falta da vida dos nossos filhos, podemos acabar retirando deles a oportunidade de crescer.
Quando compreendemos que estamos todos “em estado de caminho”, reduzimos a exigência de perfeição e ampliamos a possibilidade de crescimento, inclusive o nosso.

Algumas viagens terminam no retorno para casa.Outras continuam reorganizando a forma como nos relacionamos.
01/24/2026

Algumas viagens terminam no retorno para casa.
Outras continuam reorganizando a forma como nos relacionamos.

A vida adulta tende a se repetir.Horários, tarefas, responsabilidades, papéis e, sem perceber, começamos a viver no modo...
01/14/2026

A vida adulta tende a se repetir.
Horários, tarefas, responsabilidades, papéis e, sem perceber, começamos a viver no modo automático.
Viajar nos devolve algo precioso: as “primeiras vezes”.
O primeiro gosto de um tempero estranho.
O frio na barriga ao tentar falar uma língua desconhecida.
O impacto diante de uma paisagem que antes só existia em fotos.
Essas experiências não são apenas bonitas:
elas ativam a mente, despertam emoções, expandem a percepção e renovam a sensação de estar vivo.
A mente precisa do novo.
O psiquismo precisa de movimento.
A alma precisa de encontros.















Debaixo desta árvore, cada sino fala uma língua diferente.São 364 idiomas ecoando juntos, representando mais de 99% da p...
01/13/2026

Debaixo desta árvore, cada sino fala uma língua diferente.
São 364 idiomas ecoando juntos, representando mais de 99% da população do planeta.
A obra se chama Speaking Willow e me fez pensar em como cada pessoa carrega dentro de si uma história, uma origem, uma forma única de ver o mundo. E ainda assim, estamos todos interligados.
Para quem vive fora do seu país, como tantos brasileiros espalhados pelo mundo, essa experiência é quase física: o som do pertencimento se mistura ao som do estranhamento.
Aprendemos novos códigos, novas palavras, novos silêncios… sem jamais deixar de ser quem somos.
Talvez, viver no exterior seja exatamente isso: aprender a escutar muitas línguas, sem perder a própria voz.

́demental

Mover-se pelo mundo é abrir a mala por fora e a cabeça por dentro.É trocar rotina por curiosidade, mapa por surpresa, pr...
12/22/2025

Mover-se pelo mundo é abrir a mala por fora e a cabeça por dentro.
É trocar rotina por curiosidade, mapa por surpresa, pressa por presença.
É voltar diferente, mesmo quando o destino é o mesmo.

́demental

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