05/30/2026
Hoje o mundo se despede de Edgar Morin.
Já o citei inúmeras vezes em atendimentos, estudos e diferentes trabalhos, porque seu pensamento me ensinou algo precioso: a vida não cabe na simplificação.
Talvez uma das maiores violências que fazemos conosco seja tentar nos reduzir a explicações fáceis.
Mas o humano é complexo.
Somos feitos de contradições.
De ambiguidades.
De dores e desejos coexistindo.
De amor e medo.
De coragem e insegurança caminhando juntos.
Na clínica, aprendo todos os dias que o sofrimento raramente é linear e a cura também não.
Aprender a olhar a vida pela lente da complexidade pode ser profundamente esclarecedor. E, terapeuticamente falando, pode ser também um convite: ao autoconhecimento, à compaixão consigo mesmo e à coragem de sustentar perguntas antes das respostas.
Nem sempre existe um “ou”.
Muitas vezes, a vida é um “e”.
Obrigada, Edgar Morin, por nos lembrar que compreender o humano exige delicadeza diante do que é complexo.