04/02/2026
Antes de Duke, vieram Duda e Brankela.
Duas Boxers.
A Duda eu escolhi. A Brankela veio depois, filha dela. E não foi por acaso. Eu já tinha observado que era uma raça que se dava muito bem com pessoas, principalmente com crianças. Afetuosa, brincalhona, presente.
Mas só isso não bastava.
Eu treinei as duas com base no que eu já tinha estudado em psicologia experimental. Nada complicado. O básico bem feito: não pular, não lamber, ser gentil. E, mais do que tudo, saber estar.
A Duda era mais aberta, mais brincalhona.
A Brankela, que era surda, era mais calma, mais sensível.
E foi aí que começou a acontecer uma coisa que eu nunca tinha visto em curso nenhum.
Elas sabiam quando e como se aproximar.
Sem comando.
A Duda chegava perto de uma criança em shutdown e simplesmente f**ava ali, presente.
A Brankela se afastava quando alguém estava desregulado, como se entendesse que aquele não era o momento de contato.
Aquilo me chamou muita atenção.
Porque elas não estavam ali só “fazendo companhia”.
Elas estavam trabalhando.
Observando, lendo, respondendo… muitas vezes antes de mim.
Foi aí que eu entendi uma coisa que mudou tudo:
Cão não assiste terapia.
Cão faz terapia.
E eu precisei aprender com elas.
Passei anos observando, ajustando, refinando. Não foi algo que veio de curso ou de livro. Veio da prática, do dia a dia, de prestar atenção de verdade no que elas faziam.
Hoje, quando alguém fala em treinar cão para terapia, muita gente pensa em comando. Sentar, deitar, f**ar.
Mas não é isso.
É conexão. É percepção. É resposta.
A Duda e a Brankela já sabiam.
Eu só precisei aprender a não atrapalhar.
Elas não estão mais aqui.
Mas o que elas me ensinaram continua em cada sessão que eu faço.