14/03/2026
O Coletivo Pajeú manifesta sua total solidariedade à deputada federal Érika Hilton diante dos ataques transfóbicos e misóginos feitos pelo apresentador Ratinho em seu programa no SBT na última quarta-feira (11/03) e, novamente, nesta sexta-feira (14/03), pelo jornalista Demétrio Magnoli, comentarista da GloboNews.
Não podemos tratar esse tipo de discurso como mera opinião. Trata-se de um discurso violento que tenta deslegitimar a existência de mulheres trans e reforça uma visão retrógrada sobre o que é ser mulher. Reduzir a identidade feminina a critérios biológicos como menstruar, ter útero ou gerar filhos, reproduz uma lógica patriarcal que historicamente serviu para controlar os corpos e as vidas das mulheres, além de tentar desqualificar a identidade, a trajetória política e o direito de Érika Hilton ocupar espaços de poder. É ainda mais grave que esse tipo de ataque seja reproduzido também em uma grande emissora de comunicação, ampliando a circulação de discursos que reforçam preconceito e violência.
Diante dos ataques sofridos, Érika Hilton processou Ratinho e o SBT, e o Ministério Público acatou a denúncia, que pede a condenação ao pagamento de 10 milhões de reais em indenização às mulheres vítimas de violência, trans e cis, além da retirada do programa de qualquer canal ao qual esteja vinculado.
Em um país que lidera há anos os índices de assassinato de pessoas trans no mundo, discursos como esses não são inofensivos. Eles alimentam a desumanização e ajudam a manter uma estrutura de violência que precisa ser enfrentada. O Coletivo Pajeú reafirma sua solidariedade e seguirá denunciando toda forma de transfobia e misoginia.
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