03/04/2026
Quando meus filhos perguntarem como eu era nos anos 90 e 2000, mostrarei essas fotos. Mas por trás delas existe uma história.
Aos 6 anos, ouvi o primeiro comentário sobre meu corpo: fui chamada de “gorda” por uma amiga.
Aos 13, pesando apenas 53kg, o culto à magreza da época me ensinou que pra ter valor, eu precisava usar 34.
Cheguei a passar dias comendo só UM tomate. Sem saber, desenvolvi anorexia.
Aos 14 anos, cheguei aos 45kg (magreza patológica). E a grande ironia? Passei a ser criticada por ser magra demais.
O desespero bateu: precisava engordar a todo custo. Fui pro extremo oposto, vivendo de fast food e chocolate.
Aos 17, com colesterol nas alturas, busquei ajuda. O que recebi? Dieta de gaveta, restrições sem sentido e zero empatia.
Eu aguentava um mês, surtava, desistia e o efeito sanfona recomeçava.
Eu olhava pras famosas “Panicats” (quem aqui é dessa época?) e me culpava por não ter a mesma “disciplina”.
Essa frustração me fez cursar nutrição. Eu queria consertar o que tinha de errado comigo.
A maior virada de chave foi descobrir que o problema não era eu. O padrão da sociedade e as estratégias pra chegar lá é que são desumanos.
Quem viveu à ditadura da magreza extrema dos anos 90 e 2000 sabe o quanto isso destruiu a nossa autoestima.
E hoje, vejo essa mesma pressão voltando com força, cobrando um preço altíssimo da saúde mental das mulheres.
Por isso, como nutricionista, construí uma abordagem diferente de tudo que vivi. Quando entendi que a mente comanda como comemos, tudo mudou.
A salada virou um hábito natural, não um castigo.
Incluir meu chocolate diário e a pizza do fim de semana deixou de ser um “furo na dieta”.
Virou a estratégia comportamental que me mantém constante, saudável e em paz com a comida há anos.
E eu finalmente me tornei a nutricionista que aquela menina de 14 anos precisava ter encontrado.