22/02/2022
🔹 É uma síndrome neuropsiquiátrica, considerada uma emergência médica, caracterizada por alterações da consciência e atenção, percepção e pensamento, com prejuízos na memória, alterações psicomotoras e ritmo circadiano.
🔸 É importante não confundirmos os termos delirium e delírio. O delirium é uma síndrome que causa um estado confusional e tem etiologia clínica, já o delírio é um sintoma prevalente em muitas condições psiquiátricas, como a esquizofrenia, bipolaridade e depressão. Relaciona-se a prejuízo na capacidade crítica do indivíduo, ou seja, a pessoa acredita, em algo que não existe, sendo incapaz de discernir entre o real e o imaginário.
🔹 A prevalência do delirium em idosos vivendo na comunidade varia de 1% a 2%, enquanto que em idosos hospitalizados pode chegar até 40%, analisando-se os internados em unidades de pós operatório, esse índice pode alcançar até 60% dos casos; e em unidades de terapia intensiva, até 87%.
🔸 O início do quadro é agudo e seu curso é flutuante, com prejuízo do estado de alerta do paciente e, comumente, desorientação têmporo-espacial. As alucinações e delírios não são essenciais para o diagnóstico, mas frequentemente podem estar presentes.
🔹 O fundamental para buscarmos o tratamento do delirium é entendermos o que está ocasionando estas alterações. As principais causas são: fármacos(psicotrópicos, quinolonas, hipnóticos/sedativos, bloqueadores H2, antidepressivos tricíclicos, antiparkinsonianos, entre outros), desequilíbrio hidroeletrolítico (principalmente sódio e cálcio, além de outras alterações metabólicas), suspensão abrupta de medicamento(principalmente benzodiazepínicos), infecção (principalmente do trato urinário), redução de funções sensoriais (auditiva e ocular), sondas (como a vesical e a enteral), pacientes, em ambiente de unidade intensiva, pacientes que fazem retenção urinária ou f***l, descompensação de insuficiência cardíaca e infarto agudo do miocárdio, dentre outras.
🔸 A prevenção é a melhor medida, bem como a utilização de recursos não farmacológicos. Seguem algumas sugestões: disponibilizar calendários e relógios nos quartos dos pacientes, manter a utilização de óculos e próteses auditivas, manter luminosidade durante o dia e ambiente escuro e silencioso durante a noite, organizar rotinas diárias, manter a nutrição e hidratação adequadamente, iniciar a retomada de estímulos motores o mais precoce possível no período pós operatório.
🔹 O delirium está associado a pior prognóstico durante a internação hospitalar, bem como no período após a alta hospitalar, podendo representar um importante sinalizador de risco para o surgimento de declínio cognitivo e demência em idosos.
🔸 A chave da questão é a identif**ação precoce e o tratamento adequado da causa do delirium, visando a redução de riscos de morbidade e mortalidade, bem como o estabelecimento de medidas preventivas.
🔹 Por ser considerada uma emergência médica, em caso de dúvidas consulte um profissional da sua confiança que poderá dar as orientações mais adequadas de como proceder.