16/03/2023
Subida de preços sufoca sobreviventes do Freddy na Zambézia.
Freddy já não é ciclone, mas o sistema continua entre nós. As consequências da sua passagem avassaladora, continuam a agigantar-se na Zambézia. Se ontem os choros eram pela morte de entes queridos, bens perdidos e bens destroçados, hoje, a lamentação é pela subida vertiginosa de preços de bens essenciais, que estão a atrasar a recuperação.
“Estamos a passar mal. Não sabemos como vamos viver”, disse uma cidadã, que prefere o anonimato, ao GM News.
O quilo de farinha de milho que custava 60 Meticais, hoje subiu para 95. O s**o de 25kg que estava 1000 meticais, subiu para 1500.
Materiais de construção, neste momento procurados para reparar os danos causados pela fúria do Freddy, também estão a preços insuportáveis para a população. A chapa de zinco, por exemplo, custava 300 meticais. Hoje, está a 400.
Comerciantes ouvidos pelo GM News dizem que subiram os preços porque não estão a receber produtos, devido ao corte da Estrada Nacional Número 1, para o lado norte bem como para o sul. A capital está isolada via terrestre, tendo comunicação só com o distrito de Nicoadala.
Os comerciantes explicam que recebiam produtos agrícolas como tomate, cebola, pimenta e ovo do Malawi, mas estes não estão a chegar, pois o Freddy também afectou aquele país vizinho. Mesmo produtos que vinham de locais como Tete, e até de dentro da província, como os produtos agrícolas de Licuar e Namacurra, não estão a chegar à cidade capital da Zambézia.
O GM News fez uma ronda pelos maiores supermercados da cidade, onde constatou que há enchentes, pois as pessoas estão a tentar comprar o que podem, quer para abastecerem-se, devido à ameaça de nova aterragem do ciclone na província, quer para doar a quem mais precisa. Em resultado, alguns produtos começam a ficar escassos.
“Ontem saí para comprar produtos para apoiar algumas famílias mais desfavorecidas. Queria comprar massa esparguete, mas num mercado só consegui 5 pacotes. Também não tinha farinha. Tive de ir a outros supermercados que são maiores, mas os preços são mais altos. Lá havia produtos, mas estava muito cheio”, contou a munícipe que temos vindo a citar.
Por outro lado, a prolongada falta de corrente eléctrica da rede nacional, está a causar prejuízos a algumas famílias, que já haviam feito o rancho mensal.
“Hoje fiquei maldisposta porque tive de deitar comida. Doeu-me muito pois acabava de fazer o rancho”, contou uma munícipe.
Nas casas e nas ruas, em Quelimane o tema de conversa é mesmo a lamentação pela alta de preços num momento de grandes dificuldades como o que se vive.
GM News