23/01/2026
OPINIÃO CRÍTICA | Angola não precisa de um sucessor, precisa de libertação
Este artigo tenta parecer um debate sobre o futuro de Angola, mas na verdade expõe algo ainda mais grave: o país continua refém de um jogo interno do MPLA, onde o povo é apenas espectador.
Não se discute o que Angola precisa.
Discute-se quem garante a continuidade do poder.
Adão Almeida, Mara Quiosa e Manuel Domingos Augusto não aparecem aqui como escolhas do povo, mas como opções estratégicas de um sistema que quer sobreviver, independentemente do sofrimento real da população.
Quando falam de Adão Almeida como “jovem”, isso é quase ofensivo para a juventude angolana. Jovem não é idade, é mentalidade. E a mentalidade que ele representa é a da obediência cega, da continuidade sem questionamento e da execução fiel dos planos de João Lourenço. Isso não é renovação. É herança política.
Mara Quiosa surge como símbolo de juventude e inclusão, mas sejamos honestos: quantas vezes o MPLA já usou rostos novos para manter práticas velhas? Juventude sem autonomia é apenas decoração política. É cosmética. É marketing. O povo já não se deixa enganar com discursos bonitos enquanto continua sem emprego, sem saúde e sem dignidade.
Manuel Domingos Augusto é vendido como garantia de estabilidade internacional. Mas estabilidade para quem? Para os parceiros estrangeiros ou para o cidadão que não tem água, luz e pão? Angola não precisa apenas de diplomacia forte, precisa de justiça forte, instituições fortes e líderes que não tenham medo de romper com o passado.
O mais preocupante neste artigo não são os nomes apresentados, mas o que ele deixa claro nas entrelinhas:
👉 a sucessão será decidida nos bastidores, não nas ruas
👉 o povo continua fora da equação
👉 o MPLA discute o futuro do país como se Angola fosse propriedade privada do partido
E enquanto isso, o angolano comum continua a sobreviver, não a viver.
A verdadeira questão não é quem vai liderar Angola em 2027.
A questão é: até quando Angola vai continuar a ser liderada sem ouvir o seu próprio povo?
Se 2027 trouxer apenas um novo rosto para o mesmo sistema, então não será mudança.
Será apenas mais uma década perdida.
Angola não precisa de um sucessor escolhido a dedo.
Precisa de coragem para romper, humildade para ouvir e vontade real de servir o povo.
Sem isso, o problema não é quem lidera.
O problema é o sistema que nunca muda.
O artigo em questão : https://namiradocrime.info/show/15731