18/07/2023
Pode parecer confuso o que vou escrever agora, mas sei que também fará algum sentido: sofre mais quem não enxerga o sofrimento enquanto uma condição humana.
Acredito na premissa de que existimos para viver e contemplar o bem estar, principalmente, mas não acredito que isso está dissociado das experiências dolorosas e frustrantes. E mais que isso, vejo como a tentativa de fugir da frustração nos arrasta para dentro dela, como dois polos opostos que se atraem feito imã.
E isso faz todo sentido se formos capazes de enxergar a vida como uma experiência que vai muito além dos signif**ados que nós atribuímos a ela. Quando entendemos que existe além de cada pessoa uma engrenagem que nos une e nos separa, que acontece independente da nossa interferência direta.
Um exemplo claro disso é perceber que nem todo resultado depende exclusivamente do esforço pessoal. Nem tudo que vivemos é formado pela simples equação escolha - consequência (num âmbito em individual sim, mas também existimos além dele). Muitas coisas acontecem provocadas pelas nossas decisões, mas tantas outras nos acontecem sem que possamos ter controle.
E até mesmo nessas sobre as quais temos algum tipo de controle, a frustração se faz presente. Quem nunca fez uma escolha e percebeu com o tempo que ela conduzia a um caminho frustrante?
Vemos a vida com base no ponto no qual estamos nesse instante, e decidimos a partir dele; é grande o risco de que esse caminho mude e não há o que fazer em relação a esse risco. Afinal de contas, viver é se arriscar.
Por mais que a gente busque por coerência e assertividade, nem sempre isso será o bastante para evitar a dor, o medo, a frustração, a tristeza, a angústia.
E pensando nisso agora, me conta: você tem visto a frustração como uma condição natural da existência ou como uma grande vilã da sua vida?