25/09/2025
Às vezes, travamos uma briga constante com o tempo. Na verdade, quando certos acontecimentos atravessam a vida, a relação com ele se transforma. Ao menos, a minha transformou..
A cada dia que se vai, a cada ponteiro que gira, a cada vez que Cronos insiste em mostrar seu poder, a pressa cresce. Descobre-se então que o tempo é curto e que os imprevistos podem surgir em uma manhã qualquer.
A briga com o tempo talvez reflita o medo dele. Afinal, quando se percebe, já é lua crescente. Quando se nota, a estação terminou. Sem aviso, 365 dias se foram. A música repetida quarenta vezes já cedeu lugar a outra que será novamente substituída.
De repente, tudo muda. Algumas coisas se vão, outras permanecem, muitas surgem. Minutos, horas, dias se escoam. E permanecemos em alguns lugares, mas também partimos para tantos outros.
Kairós passa despercebido porque Cronos se torna o senhor da casa. Deseja-se muito, ouve-se pouco. Fala-se de alma, mas dá-se pouca atenção a ela. A transitoriedade da vida faz esquecer das pontes e lembrar apenas dos ponteiros.
A única capaz de inspirar vagareza é Perséfone.
Ela que me perdoe, mas às vezes parece que o tempo de Hades é longo demais. No contraste, percebe-se que pressa e demora são duas faces da mesma experiência do tempo. Ainda assim, Perséfone sempre recorda que a primavera chega e que, ao menos, esse tempo pode se associar a Kairós.