02/11/2021
Quem aí já assistiu?
Round 6, retrata a história de pessoas endividadas que aceitam participar de um jogo, que se revela mortal, no qual o único vencedor receberá uma bolada em dinheiro. O jogo é criado e mantido por bilionários em busca de diversão.
A série mescla imagens coloridas, que remetem à diversão infantil, com cenas chocantes de violência. Traz o contraste entre ricos e pobres e o fato comum de ambos não conseguirem ter prazer na vida, uns porque têm que sobreviver outros porque a fortuna não preenche a sensação de vazio e tédio. A discrepância social e econômica mostrada na série, entretanto, destaca algo que pode ser comum a toda sociedade: a ausência de prazer no cotidiano.
Somos ensinados e estimulados dia-a-dia ao consumo e à promessa de que ao adquirir a novas posses e objetos seremos mais felizes, bonitos e/ou realizados. A lógica social voltada ao mercado material nos ensina que podemos TER felicidade e distorce o fato de que SER feliz é resultado da alegria e do prazer, que experimentamos no corpo, onde sentimos a felicidade. Ser feliz está ligado a auto expressão e ao sentimento de si.
Os jogos de infância nos remetem aos prazeres desta fase. Crianças se entregam de corpo e alma à brincadeira, realizada através da criatividade e da fantasia, e ali encontram o prazer e a alegria. Contudo, a criança não se ilude, ela fantasia um novo mundo e o sente com seus sentidos, mas sem nunca perder o contato consigo mesma ou negar a realidade. A brincadeira é realizada com a seriedade de alguém que cria um mundo de faz-de-conta, porém com responsabilidade e comprometimento com suas percepções e sentimentos.
A busca obsessiva pela diversão, ou por parecer estar se divertindo, escancaram a realidade de uma vida desprovida de sentido e sentimentos. Na ilusão de que o TER levará ao SER, é cindido o contato com o corpo, torna-se insensível à própria dor, à dor do outro, à destruição do meio ambiente, à violência e, principalmente, ao amor e à alegria. Então, a busca por algum sentir pode levar a extremos, como o brincar com a morte: a própria ou a alheia.