26/02/2026
Ultimamente tem algo que me preocupa demais: o uso de anabolizantes por pessoas com doenças autoimunes.
Conseguiram normalizar isso. Hoje muita gente enxerga como algo comum, quase como se fosse uma vitamina ou um “empurrãozinho” para ficar mais bonito ou perder alguns quilos.
Mas não é. Não mesmo.
Todos os dias aparecem na TV e na internet notícias de fisiculturistas, atletas e até “médicos” que morreram ou tiveram complicações graves associadas ao uso de anabolizantes. Paradas cardíacas, infartos precoces, falência hepática, tromboses. Isso não é exagero. Está acontecendo na nossa frente.
Quando trazemos essa conversa para o lúpus, a preocupação aumenta muito.
O lúpus, por si só, já eleva de forma importante o risco cardiovascular, especialmente em mulheres jovens. Existe inflamação crônica, maior vulnerabilidade dos vasos, muitas vezes histórico de nefrite, uso de corticoide, alterações metabólicas.
Agora imagine somar a isso uma droga que pode aumentar pressão, piorar colesterol, favorecer trombose e sobrecarregar o fígado.
Em quem já teve nefrite lúpica, o cuidado precisa ser redobrado. O rim já foi agredido. O fígado muitas vezes já trabalha metabolizando imunossupressores. Não é um terreno neutro.
E não estamos falando só de coração e fígado. Existem alterações hormonais profundas, irregularidade menstrual, queda de cabelo, acne severa, mudanças de humor, alterações corporais irreversíveis.
Eu entendo a busca por autoestima. Isso é legítimo.
Mas quando você já convive com uma doença autoimune sistêmica, adicionar um risco desse tamanho por estética não é estratégia. É exposição desnecessária.
Seu corpo já enfrenta desafios suficientes. Colocar mais uma agressão nessa equação pode custar muito mais do que qualquer resultado visual compensa.
Cuidar da saúde não é brincadeira. Menos ainda quando estamos falando de lúpus.