09/01/2026
Todo mundo falando da nova pirâmide alimentar da USDA.
E, sendo justa, existe um ponto positivo que merece ser reconhecido.
A mensagem central ficou mais simples e mais honesta: menos ultraprocessados, mais comida de verdade.
Difícil alguém sair prejudicado ao reduzir açúcar, refinados e produtos industrializados.
Isso é consenso há bastante tempo.
O desconforto começa quando a pirâmide visual aponta para um caminho e as recomendações oficiais seguem outro.
Prioriza-se carne vermelha, laticínios integrais, manteiga, gordura animal. Ao mesmo tempo, mantém-se o limite rígido de gordura saturada em até 10% das calorias. Na prática, essas duas coisas não conversam entre si.
O mesmo vale para a proteína. A recomendação sobe para algo entre 1,2 e 1,6 g por quilo de peso corporal, sem grandes distinções de contexto, nível de atividade ou perfil metabólico. Curiosamente, esse já é o consumo médio do americano há anos. Ou seja, não se trata exatamente de uma virada de chave.
Os vegetais continuam recomendados, as frutas também. Os cereais mudam de posição no desenho, mas seguem presentes no dia a dia.
Nada disso é exatamente novo.
Talvez o ponto mais honesto dessa discussão seja este: o problema nunca foi a pirâmide. Ela nunca foi seguida.
Agora resta observar se, nos próximos anos, algo realmente muda no comportamento alimentar da população ou se estamos apenas diante de uma reformulação estética, mais palatável, mais politizada e pouco transformadora.
Na prática, a saúde pública não melhora por decreto gráfico.
Melhora quando há coerência, educação nutricional e aplicação clínica com critério.