06/03/2026
Tememos ser o pássaro que destoa.
Aquele cuja plumagem vibra em uma cor que ninguém mais parece ter, cujo canto não se encaixa na melodia dominante.
E por medo do exílio, da não-pertença, nos empenhamos na mais exaustiva das tarefas:
a de nos oprimir.
Escondemos aquilo que temos de mais raro para tentar pertencer a um padrão que, na verdade, nos apaga.
Vivemos a saga da imitação, tentando nos convencer de que a segurança está em ser uma cópia bem-feita, quando nossa expressão anseia pela liberdade de ser um original, ainda que estranho.
O psicólogo arquetípico James Hillman chamou isso de “daimon”: a imagem única que a alma carrega, o chamado para ser quem se é.
Ele diz em “O Código do Ser”: “Cada pessoa vem ao mundo com uma vocação”.
A sua estranheza não é um acidente.
É a sua vocação se manifestando, a sua assinatura anímica, a plumagem da sua existência querendo se abrir.
A grande virada da maturidade não é quando finalmente conseguimos nos encaixar.
É quando, exaustos de nos encolher, ousamos desdobrar as asas.
A floresta não é bela porque todas as árvores são iguais, mas porque cada uma, com sua forma, altura e cor, contribui para a majestade do todo.
A sua singularidade não te exclui do mundo;
ela é a sua oferta única, a ele.
Sabrynna Ribeiro 🕊️
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