Alfeu Figueredo Do Prado. Psicólogo e Psicanalista

Alfeu Figueredo Do Prado.    Psicólogo e Psicanalista Psicólogo Clínico e Psicanalista.

12/03/2026

Continuar em movimento

Fazer 60 anos costuma vir acompanhado de uma pergunta: quando parar?

Muitos, se aposentam cedo, convencidos de que isso os libertaria para viver melhor. Respeito essa escolha, mas minha visão segue outro caminho.

Sempre achei curioso o conceito de parar de trabalhar para só então descobrir algo legal para fazer. Para mim, o desafio é outro: construir uma trajetória em que o trabalho permaneça fonte de sentido, crescimento e vitalidade, tendo o lazer e a vida familiar como contraponto e complemento.

Talvez o problema não seja o trabalho em si, mas o lugar onde estamos. Quando o ambiente não nos permite crescer, a solução não é abandonar a vida produtiva, mas ter disposição e coragem para mudar, buscar novos desafios e encontrar espaços onde nossa contribuição faça cada vez mais sentido. Para isso, é fundamental ser fiel a si mesmo, estar disponível e motivado.

Talvez por isso este aniversário tenha um significado especial. Chego aos 60 anos iniciando uma nova etapa profissional. A chegada a esta idade não traz uma linha de chegada ou um encerramento — é uma nova colheita.

A chamada 'terceira idade' costuma ser associada à desaceleração. Prefiro enxergá-la como maturidade produtiva, quando experiência e energia renovada caminham juntas. A potência, o desempenho e a performance nada têm a ver com a idade, nem com cansaço e desgaste. Muito pelo contrário.

No fundo, muitos querem se aposentar porque não conseguiram transformar o trabalho em ferramenta de satisfação e desenvolvimento, mas apenas em meio de sobrevivência.

Para mim, a resposta ao envelhecimento é apenas dar sentido a ele, ou seja, continuar em movimento produtivo. Isto sim traduz minha idade e meu momento.

25/02/2026

Porque Epstein e P Diddy não foram contidos pela opinião pública ou pela justiça desde o início?

Na psicanálise, a perversão é o "não castrado": quem recusa o limite simbólico da castração, negando a falta humana para encenar uma ilusão de poder total. Como um narcisista que usa o outro como brinquedo, sem freio ético interno.

Epstein e P Diddy exemplificam isso. Seu poder — fortunas, conexões com elites — simulou onipotência, dissolvendo limites. Começaram com abusos isolados, mas contatos com juízes, políticos e mídia os blindaram, permitindo escalada a redes de exploração que remunerava e escalava outros ao prazer da falta de limites.

A justiça colabora por ser humana: juízes "não castrados" por cargos vitalícios interpretam a lei seletivamente, punindo o pobre mas negociando com o rico para preservar sua própria ilusão de autoridade. Exemplo: Epstein fez acordo brando em 2008, apesar de crimes graves.

A opinião pública falha igual: moldada por algoritmos de Big Techs (geridas por "não castrados" semelhantes), transforma denúncias em fofoca viral passageira, sem pressão real por punição. Redes sociais distraem com trends, suprimindo exposições que ameaçam o status quo desta elite que não enxerga mais a perversão comp tal.

Poder leva à não castração — sem vergonha ou consequência imediata, aberrações florescem compulsivamente. Como vício em dr**as: exposição crônica sem freios. O ciclo perverso persiste porque sistema e sociedade, feitos da mesma matéria, negam sua castração coletiva, o sistema que deveria controlar está dentro.

Só transparência radical sem gestão da informação e accountability externa romperiam isso, forçando o limite que falta ao "não castrado", mas quem neste grau de poder está fora e continua vivo?

23/02/2026

O surto da criança pelo celular não é “frescura”

O vídeo mostra uma criança em total descontrole: grita, chora, quebra pratos. Tudo porque o celular foi tirado. Diante de cenas assim, é comum ouvir que é “falta de limite” ou “falta de chinelo”. Mas reduzir o episódio a isso é ignorar o que realmente está em jogo.

Não se trata de birra comum. É desregulação emocional. O cérebro infantil, hiperestimulado por horas de tela, perdeu a capacidade de lidar com o vazio do “não”. Acostumado com dopamina fácil e estímulos contínuos, qualquer interrupção brusca é vivida como um colapso.

A tela não ensina espera. Não ensina frustração. Não ensina autocontrole. Quando o limite real aparece — muitas vezes tardio e abrupto —, o sistema emocional da criança simplesmente entorta. O que vemos é uma crise de abstinência disfarçada de comportamento agressivo.

Olhar para isso com seriedade é compreender que o problema vai além da educação individual. É social, é cultural, é sistêmico. A lógica por trás do vício em telas é a mesma da dependência química: o cérebro é sequestrado pela recompensa imediata. A diferença é que, aqui, o estímulo está escancarado, autorizado, normalizado.

Relativizar esse funcionamento “zumbi” é comprometer a formação emocional de toda uma geração. O preço se paga na vida adulta: baixa tolerância à frustração, dificuldade de concentração, prejuízos na autonomia e na produtividade.

O surto não é birra. É grito de um cérebro que não aprendeu a parar. E parar, hoje, é quase revolucionário. É uma droga "nova" que se chama dopamina e estava presente no nosso sistema nervoso em quantidade normal e agora o estímulo a desequilibrou.

No adulto as consequências são menos perceptíveis , mas implicam em prejuízo nas relações interpessoais e profissionais como fosse dependência química e funcionamento zumbi análogo ao da criança

25/01/2026

A Força que flui naturalmente.

“Confie em si mesmo: todo coração vibra nessa corda de ferro.”
– Johann Wolfgang von Goethe

A imagem do mar batendo com força contra a rocha, lançando suas águas em um movimento intenso e aparentemente rebelde, pode nos falar de um certo modo de estar no mundo. Em uma metáfora psicológica, essa ressaca representa não um defeito, mas uma dinâmica interior de grande potência. É a forma como algumas pessoas processam a vida: com paixão, intensidade e um impacto que pode ser avassalador, mas que também limpa, renova e não pode ser contido.

Como na natureza, há diferentes ecossistemas emocionais. O mar de força é aquele impulso colérico-sanguíneo: energia que emerge em ondas, necessidade de expressão imediata, um ímpeto que pode parecer confrontador, mas que é, em sua essência, um movimento vital autêntico. Não é uma raiva vazia; é a força de um sentimento que precisa se exteriorizar, manifestar-se com potência no mundo para então se recompor, como a maré que recua para ganhar novo impulso.

Esta força contrasta, mas não é superior ou inferior, aos rios de curso constante (a fluidez adaptável) ou aos lagos de águas profundas (a introspecção fértil). O autoconhecimento está em reconhecer se você é, em essência, mar, rio ou lago. Aceitar a própria dinâmica interna é entender que sua força pode ter um ciclo: o impacto, a subida, a queda e o recuo. A sabedoria não está em parar o mar, mas em aprender a compreender sua força e seu potencial, navegar em suas correntes e respeitar seu poder natural, sem culpa, integrando-o à paisagem total do seu ser. Afinal, a vida está presente no mar, nos rios e nos lagos, e a fertilidade deles é tão essencial quanto natural.

25/01/2026

Não Confundir Seu Nome com Seu Erro

“O diabo conhece seu nome, mas te chama pelos seus erros, enquanto Deus conhece seus erros, mas te chama pelo seu nome.”

A saúde psicológica de um ambiente se mede por sua capacidade de distinguir a identidade do comportamento. Ambientes tóxicos operam precisamente forçando essa confusão: eles tomam um erro, uma vulnerabilidade ou uma derrota e os erguem como a definição total do indivíduo. Essa é a estratégia mestre para a intimidação e a submissão, um triunfo maníaco que estigmatiza a pessoa para controlá-la.

Um ambiente saudável, ao contrário, pratica a visão integral. "Chamar pelo nome" é reconhecer a pessoa em sua complexidade – capacidades e limites, acertos e falhas. O erro é tratado como um evento, não como a essência. Essa clareza – não confundir seu nome com seu erro – liberta o indivíduo da prisão do estigma, permitindo que a responsabilidade seja assumida sem aniquilação da autoestima. É a base para o crescimento, e não para a dominação.

24/01/2026

O Problema que Criamos

A história do cortador de grama vai além de um conserto. Ela revela um padrão mental: diante de um obstáculo, nossa primeira reação é frequentemente a impotência. Atribuímos a dificuldade à nossa incompetência, ao equipamento defeituoso ou ao mundo conspirando contra nós. Paralisamos.

O gesto do pai foi primeiro técnico, depois filosófico. Ao demonstrar que o problema era solucionável, ele mostrou que a maior barreira não estava no motor, mas na mente. “Você só estava criando o problema” – essa frase ressignifica a dificuldade. Ela deixa de ser um monstro intransponível e se torna um quebra-cabeça montado por nós mesmos, peça por peça de desânimo e pressa.

Quando internalizamos que a dificuldade é, em parte, uma construção nossa, tudo muda. O fardo da incapacidade some. Em seu lugar, surge a curiosidade e a responsabilidade de desmontar o que nós mesmos armamos. A superação começa não com uma ferramenta mais afiada, mas com um olhar mais leve.

É bom estar de volta. Seguimos criando, agora desmontando os problemas que inventamos.

15/01/2026

Veja a explicação de Wilson Gonzaga no Podcast Flor de como a redefinição da verdade do passado serve para saúde mental e libertação mas também para dependência emocional e transtorno mental.
O manipulador quer definir a verdade que interessa pra ele e cabe você construir a sua.

07/01/2026
04/01/2026

Infelizmente, o real não é tão legal.
Quanto é muito legal não é real.
Cabe entendermos isto e passarmos a viver bem assim.
Afinal não há opção, ou a realidade ou a alienação.
Prefiro a abraçar a realidade.

04/01/2026

Seria o psicanalista o poeta da desilusão?

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