12/03/2026
Continuar em movimento
Fazer 60 anos costuma vir acompanhado de uma pergunta: quando parar?
Muitos, se aposentam cedo, convencidos de que isso os libertaria para viver melhor. Respeito essa escolha, mas minha visão segue outro caminho.
Sempre achei curioso o conceito de parar de trabalhar para só então descobrir algo legal para fazer. Para mim, o desafio é outro: construir uma trajetória em que o trabalho permaneça fonte de sentido, crescimento e vitalidade, tendo o lazer e a vida familiar como contraponto e complemento.
Talvez o problema não seja o trabalho em si, mas o lugar onde estamos. Quando o ambiente não nos permite crescer, a solução não é abandonar a vida produtiva, mas ter disposição e coragem para mudar, buscar novos desafios e encontrar espaços onde nossa contribuição faça cada vez mais sentido. Para isso, é fundamental ser fiel a si mesmo, estar disponível e motivado.
Talvez por isso este aniversário tenha um significado especial. Chego aos 60 anos iniciando uma nova etapa profissional. A chegada a esta idade não traz uma linha de chegada ou um encerramento — é uma nova colheita.
A chamada 'terceira idade' costuma ser associada à desaceleração. Prefiro enxergá-la como maturidade produtiva, quando experiência e energia renovada caminham juntas. A potência, o desempenho e a performance nada têm a ver com a idade, nem com cansaço e desgaste. Muito pelo contrário.
No fundo, muitos querem se aposentar porque não conseguiram transformar o trabalho em ferramenta de satisfação e desenvolvimento, mas apenas em meio de sobrevivência.
Para mim, a resposta ao envelhecimento é apenas dar sentido a ele, ou seja, continuar em movimento produtivo. Isto sim traduz minha idade e meu momento.