15/05/2019
A doença celíaca apresenta sintomas clínicos comuns, dificultando seu diagnóstico, oque pode implicar em seu avanço, de forma que se faz necessário uma investigação precose e detalhada. A forma clássica da doença celíaca ocorre mais comumente na infância precose, meses após a introdução do glúten na dieta, e é caracterizada por diarreia crônica, perda de peso e distensão abdominal. Nas formas não clássicas, muito frequentes, podem ocorrer sintomas isolados como: dor abdominal, constipação, baixa estatura, anemia crônica, entre outros. O paciente com doença celíaca apresenta uma atrofia da mucosa intestinal, que leva a um prejuízo na absorção de macronutrientes (como carboidratos, gorduras e proteínas) e micronutrientes (vitaminas e minerais). A atrofia ocorre devido a um processo inflamatório local, decorrente de uma resposta imunológica exacerbada, ativada de forma errônea, contra componentes da mucosa intestinal do próprio indivíduo. É o que se chama de resposta autoimune. Esta atividade autoimune só ocorre em indivíduos geneticamente predispostos, pode ser ativada em qualquer momento ao longo da vida e depende do contato do indivíduo com o glúten. O glúten, proteína alimentar presente nos cereais, trigo, centeio, cevada e aveia, é o desencadeador externo da doença celíaca. Alguns indivíduos têm maior predisposição genética para a doença, e precisam ser monitorados ao longo da vida, entre eles: os familiares de pacientes celíacos, os portadores de diabetes tipo I e os portadores de síndrome de Down. Como a doença celíaca pode se manifestar de formas bastante diversas, é preciso ter atenção redobrada para seu diagnóstico. Deve-se ter cuidado para não se subdiagnosticar ou superdiagnosticar a doença. Após a suspeita clínica, é necessário seguir cuidadosamente as etapas para definição correta do diagnóstico. A retirada precoce do glúten, antes da conclusão do estudo, complica a definição exata do diagnóstico e pode condenar uma criança a uma dieta de restrição indevidamente. Para confirmar o diagnóstico, usualmente são necessárias três etapas: suspeita clínica, teste sorológico positivo e biópsia intestinal evidenciando atrofia padrão celíaco.
Fonte: SBP