28/03/2026
Nem todo funciona da mesma forma. Nos últimos anos, o conceito de neurodiversidade ganhou espaço nas redes sociais e no debate público, trazendo novas formas de entender diferenças no comportamento, na atenção e na aprendizagem.
Mas afinal, o que significa ser neurodivergente? E será que todo mundo se encaixa nesse termo?
Segundo o psiquiatra André Botelho, do Hospital Sírio-Libanês, a ideia de neurodivergência surgiu justamente para ampliar o olhar sobre essas diferenças, sem reduzi-las automaticamente a doenças.
“Neurodivergência é um termo amplo, usado para descrever pessoas cujo modo de pensar, aprender, perceber o mundo ou se comunicar foge do padrão mais comum, chamado de neurotípico”, explica.
Ele ressalta que o conceito não é, por si só, um diagnóstico médico, mas uma forma de descrever diferentes maneiras de funcionamento do cérebro.
No uso mais comum, o termo costuma englobar condições relacionadas ao neurodesenvolvimento, como autismo, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e dislexia. No entanto, não há uma lista única e oficial do que pode ou não ser considerado neurodivergente.
“De forma mais ampla, algumas pessoas também incluem condições como discalculia, dispraxia e até altas habilidades dentro desse conceito”, afirma André.
A neuropsicóloga Nárrina Ramos, do Grupo Reinserir, em São Paulo, destaca que esse campo ainda está em construção e vai além de uma visão puramente médica.
“Discutir diversidade apenas pelo ponto de vista biomédico empobrece o debate. O conceito de neurodiversidade ainda está sendo construído e envolve diferentes formas de compreender o funcionamento humano”, pontua.
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