03/12/2025
Nunca imaginei que um dia escreveria algo assim.
Mas a realidade tem gritado alto demais para ser ignorada.
Em pleno século XXI, ainda somos caçadas dentro da própria casa. Silenciadas em relacionamentos abusivos. Apagadas em becos, quartos, cozinhas, tribunais e notícias de rodapé. O feminicídio deixou de ser um número distante. Ele ganhou rosto, endereço, nome conhecido. Virou vizinha. Virou amiga. Virou “ela”.
Então sim, façam terapia. Façam por vocês. Para curar traumas, romper ciclos, reconhecer sinais de perigo, fortalecer a mente e o coração. Não para suportar violência — mas para aprender a não normalizá-la nunca mais.
Quem precisa aprender a controlar a raiva, o ciúme, o ego ferido, a frustração e o sentimento de posse… são eles. Esses que confundem amor com domínio, carinho com controle, relacionamento com prisão.
A nós, mulheres, resta a resistência diária. A coragem de ir contra, de denunciar, de sair, de pedir ajuda, de não abaixar a cabeça, de se proteger e de proteger umas às outras.
Não carregamos arma para ataque, mas para defesa.
Não para tirar vidas, mas para preservar a nossa.
E, muitas vezes, nossa maior arma ainda é a consciência, a informação, a rede de apoio, o grito que salva outra mulher.
Porque enquanto o mundo não aprende a nos respeitar, nós aprendemos a sobreviver.
E isso, meu amor… já é uma revolução.