15/01/2026
Os sonhos não falam apenas do que passou.
Eles também sussurram sobre aquilo que ainda busca nascer.
Na Psicologia Analítica,
cada imagem onírica é uma centelha de futuro psíquico
tentando se anunciar.
Não um futuro cronológico,
mas um futuro interno:
formas ainda incompletas que pedem espaço,
gestos que não ousamos realizar em vigília,
vozes esquecidas que retornam
enquanto o corpo dorme.
Quando algo em nós deseja crescer,
mas ainda não encontra passagem na vida cotidiana,
a psique escolhe o sonho como território inaugural.
É no inesperado do símbolo
que surge a primeira versão
daquilo que podemos nos tornar.
Esse movimento costuma ser tímido,
muitas vezes disfarçado em metáforas estranhas:
portas que se abrem,
caminhos que se iluminam,
crianças que seguram nossas mãos,
figuras desconhecidas que nos chamam pelo nome.
A função prospectiva do sonho não é previsão.
É orientação.
O sonho não diz o que vai acontecer,
mas o que precisa acontecer dentro de nós
para que a vida siga com mais inteireza.
Cada imagem oferece um pequeno ajuste,
um convite silencioso
a uma possibilidade mais autêntica.
O sonho aponta uma direção
que o ego ainda não percebe,
mas que o Self reconhece profundamente.
Escutar os sonhos não é luxo.
É afinação interior.
Eles revelam lacunas, anunciam necessidades
e antecipam transformações
antes mesmo que encontrem palavras.
E, nesse percurso,
a presença de um psicoterapeuta preparado é fundamental.
Alguém que não reduza o sonho
a um manual de símbolos,
mas que acompanhe, sustente e acolha
esse movimento interno.
Porque, na análise,
os sonhos não são enfeites.
São bússolas.
E reconhecê-los assim
transforma toda a jornada terapêutica.