04/12/2025
Eu levei anos para entender que sempre fui uma artista de alma. Não dessas que aprendem cedo a transformar tudo em arte, mas daquelas que primeiro precisaram sobreviver ao silêncio, ao peso dos olhares, ao corte invisível das expectativas alheias.
Cresci entre pessoas que confundiam cuidado com controle, amor com cobrança, presença com posse. O meu corpo, antes mesmo de ser meu, já era medido, opinado, comparado. Eu aprendi, muito cedo, que para o mundo eu deveria caber: caber nas roupas, caber nos padrões, caber nos desejos que não eram os meus. E é curioso, ou trágico, como a sociedade disfarça violência de preocupação, como o suposto “ideal” e ainda se impõe como se fosse saúde, quando na verdade corrói a saúde que importa: a da alma.
Ser autêntica dá trabalho. Não é um caminho para muitos. É mais fácil se encaixar do que se enxergar. É mais fácil se mutilar do que se sustentar. É mais fácil adoecer tentando agradar do que decepcionar sendo quem se é. E enquanto todos correm para produzir mais, acumular mais, parecer mais fortes, mais jovens, mais eficientes… poucos se lembram de que o maior adoecimento do corpo se chama estresse e que a alma, quando não é ouvida, cobra seu preço.
O mundo está cada vez mais doente porque desaprendeu a sentir. E eu, que quase me perdi nesse barulho, cansei de fingir. Cansei de vestir papéis, de moldar minha carne para caber em expectativas alheias, de calar minha sensibilidade para não incomodar.
Honrar a autenticidade é para poucos.
Assumi meus limites e minhas imperfeições sagradas. Olhei para mim e fiz um pacto comigo: ser leal à minha essência, mesmo que isso incomode. Ser verdadeira com o meu corpo, mesmo que isso pareça rebeldia. Ser honesta com a minha alma, mesmo que isso exija coragem. Porque no fim, quando a idade chegar, e ela chega para todos, o que se salva não é a aparência. O que permanece não é a performance. O que floresce é a alma que não se traiu.
Eu escolhi ser quem eu sou.
E ao fazer isso, escolhi ser inteira para mim e, portanto, honesta com todos ao meu redor. E essa é, finalmente,
a maior lealdade que posso oferecer ao mundo.