29/01/2026
A internet não cria violência do zero. Mas ela pode organizar, normalizar e legitimar o ódio.
Nos últimos anos, cresceram comunidades online que transformam frustração masculina em discurso antifeminista e misógino. Muitas vezes isso aparece disfarçado de “autoajuda”, “verdades sobre relacionamentos” ou “masculinidade forte”. Mas, por trás disso, existe uma lógica perigosa: mulheres deixam de ser pessoas e passam a ser vistas como problema, ameaça ou inimigas.
Esses espaços não são só lugares de opinião. Eles funcionam como bolhas de validação, onde rejeição vira ressentimento, ressentimento vira ideologia e a ideologia passa a justif**ar controle, desprezo e desumanização.
Em casos extremos (documentados por pesquisas e investigações oficiais) esse discurso saiu da tela e virou violência real, com mulheres como principais vítimas.
Importante destacar: isso não é sobre atacar homens individualmente. Nem todo homem que consome esse conteúdo vai se tornar violento. Mas ignorar o impacto coletivo desses discursos é fechar os olhos para um padrão que já foi amplamente estudado e reconhecido por organismos internacionais.
Violência contra mulheres continua alta no mundo todo. Feminicídios, abusos, ameaças e perseguições não são fatos isolados. E a misoginia online faz parte desse mesmo cenário, ela prepara o terreno, reduz empatia e normaliza o inaceitável.