23/10/2024
As emoções que silenciamos, aquelas que evitamos enfrentar, não desaparecem no vazio. Elas permanecem, como sementes soterradas, esperando o momento de romper a superfície. Freud, ao afirmar que “as emoções não expressas nunca morrem”, nos lembra do poder oculto do que guardamos dentro de nós. O que não é dito, o que é reprimido, continua a existir, moldando nossos gestos, nossos pensamentos e, eventualmente, nossa saúde mental.
Essas emoções enterradas vivas podem emergir de maneiras inesperadas. Às vezes, elas se manifestam como explosões de raiva sem motivo aparente, uma tristeza avassaladora que nos invade de repente, ou até mesmo em dores físicas que não encontramos explicação. É como se, ao evitarmos lidar com o que sentimos, estivéssemos cavando uma cova dentro de nós mesmos, onde essas emoções aguardam o momento de escapar, quase sempre da pior forma.
Freud nos alerta, então, para a importância de reconhecer o que sentimos. Ao invés de enterrar essas emoções, devemos aprender a nomeá-las, entendê-las e, se possível, compartilhá-las. Só assim evitamos que elas voltem, não como sombras do passado, mas como tempestades que não conseguimos controlar. Afinal, o que é sentido precisa ser vivido, para que possa, finalmente, ser libertado.
Faz sentido pra você?