25/11/2018
Criança tem Zumbido?
Sim! A percepção do zumbido é surpreendentemente comum entre as crianças, afetando até 37% da faixa etária de cinco a 12 anos. Embora as crianças possam ter zumbido com tanta frequência quanto os idosos, geralmente reagem de forma diferente, raramente parecendo incomodadas ou limitadas em suas atividades diárias. Saiba mais
As crianças não são pequenos adultos. Suas vias auditivas e conexões estão em processo de maturação, por isso são mais plásticas do que em adultos e, possivelmente, mais aptas a serem influenciadas por fatores externos ou internos. Embora as crianças possam ter zumbido com tanta frequência quanto os idosos, geralmente reagem de forma diferente, raramente parecendo incomodadas ou limitadas em suas atividades diárias. Investigar o zumbido na infância é um desafio, decorrente da sua subjetividade e algumas peculiaridades entre as crianças. Mills et al. sugeriram que as estatísticas relativas às crianças são subestimadas devido às habilidades de comunicação. Por outro lado, Stouffer et al. argumentaram que as crianças têm uma tendência de responder positivamente quando solicitadas, a fim de agradar o pesquisador. Portanto, é importante considerar que os resultados obtidos em atendimentos clínicos não revelam a verdadeira prevalência do zumbido em crianças, porque raramente se referem ao mesmo de maneira espontânea e a avaliação otorrinopediátrica raramente o explora de rotina.
Com o objetivo de estabelecer a prevalência de zumbido em uma população pediátrica geral e estabelecer os fatores de risco para o aparecimento de zumbido, foi realizado um estudo prospectivo de corte transversal entre 13 mil crianças em escolas públicas e particulares. Entre elas, 700 foram selecionadas aleatoriamente, sendo que a amostra final incluiu 506 crianças entre cinco e 12 anos.
A conclusão deste estudo mostrou que a percepção do zumbido é surpreendentemente comum entre as crianças, afetando até 37% da faixa etária de cinco a 12 anos. Em 19%, pode causar sofrimento devido à interferência com a concentração, sono e interação social, tornando-se um sintoma problemático. Assim, a prevalência de zumbido na infância é semelhante a dos idosos e merece mais atenção dos profissionais envolvidos. Apesar desta grande incidência do zumbido em crianças, este ainda é um problema pouco reconhecido, particularmente em crianças com audiometrria normal, subgrupo que corresponde à metade dos casos na infância. Como as crianças raramente se queixam espontaneamente do zumbido, é pouco provável que seja percebido de rotina pelos pais, professores e médicos. Entretanto, as crianças podem ser surpreendentemente detalhistas para descreverem sua percepção do zumbido e a interferência que causa em suas rotinas diárias, quando adequadamente questionadas. Assim, torna-se relevante obter um protocolo para identificar e analisar o zumbido e minimizar seus danos na população pediátrica. Além disso, a conscientização sobre o zumbido como um problema comum e sobre a sua prevenção deveria ser levantada nas escolas e em todos aqueles que participam de atividades de risco, para evitar o zumbido e perda auditiva.
Fonte: IX Manual de Otorrinolaringologia Pediátrica da IAPO – Crianças Tem Zumbido Tão Frquentemente Quanto os Idosos – Dra. Tanit Ganz Sanchez