22/12/2015
O PAPEL DO PSICANALISTA
Se, teoricamente, define-se desde o início da psicanálise o papel do analista no processo terapêutico, de fato, inúmeras funções acessórias se fazem presentes no ofício do psicanalista.
No presente momento do desenvolvimento dos estudos sobre a psicanálise, interpretar, é somente uma das atribuições que competem ao analista.
Desde o momentoso livro de Sacha Nacht, notório psicanalista francês, denominado A Presença do Analista de 1966, destaca-se a posição do analista no setting em que a empatia, representa seu mais importante instrumento de acolhimento em relação ao paciente.
Capacidade de identificação, manter-se continente para as identificações do paciente (sejam elas projetivas ou não), paciência ante as regressões inerentes ao processo analítico, suportabilidade à agressão que certamente emergirá ante as frustrações, acolhimento das idealizações necessárias do paciente integrantes de seu contexto ilusional construindo no analista um ego ideal (sem ceder ele mesmo, o analista, a uma fantasia narcisista de ideal de bondade), são somente algumas exigências mínimas para cumprir-se o papel de analista.
Maria Manhães, pioneira da SPRJ, dizia que, depois de anos de convívio analítico, um dia, o paciente diria que “teve um insight” citando algo que “ele descobrira” e repetiria uma importante conclusão já há muito falada pelo analista. E esta “descoberta” sentida como exclusivamente sua, assim deveria permanecer para que o analisando se sentisse o grande autor de seu desenvolvimento.
José de Matos
Presidente da SPRJ