25/12/2025
A mesa já estava quase vazia. Restavam migalhas, copos pela metade, a toalha manchada de vinho.
Ele sentou-se quando a conversa já se dispersava. Olhou o copo à sua frente e hesitou antes de pegá-lo, como quem chega quando o brinde já terminou.
— Sempre achei estranho — disse afinal ao outro, quase em confidência, com um sorriso amarelo — celebrar algo que ninguém pode provar.
O outro recolhia uma vela apagada, ainda soltando um fio leve de fumaça. Aproximou-a de uma das chamas acesas.
— Ninguém prova que é amado — disse, enquanto a chama passava. — Ainda assim…
Colocou a vela junto das outras.
Da cozinha vieram risos, chamando-lhes pelos nomes.
O primeiro manteve os olhos fixos na mesa por um instante a mais. Depois se levantou e foi.