02/08/2023
Agosto Dourado 💛
Mês da conscientização da importância do aleitamento materno.
Pensei em abrir esse mês falando sobre amamentação em tandem (amamentar duas crianças de idades diferentes - foto da capa), mas resolvi fazer o meu RELATO DE AMAMENTAÇÃO.
Vejo e sou marcada em tantos posts de relato de parto que já perdi a conta, mas até agora nunca vi ninguém contando sua trajetória da amamentação. É um silêncio ensurdecedor de uma fase que toma parte da nossa vida, que vira nossa vida de cabeça pra baixo, que rouba nosso tempo, nossa independência, que tira nosso sono e testa nossa paciência (não com as crianças, mas com os adultos que nos rodeiam).
Foram quase 7 anos amamentando. Sete anos da minha vida dedicando à ser fonte de saúde para meus filhos. Vocês tem ideia do que são 7 anos?
Sabem quantas fotos eu tenho nesses 7 anos? 14.
Só 14 registros, sendo que a maioria deles eu paguei alguém para fotografar, ou eu mesma bati uma selfie ou pedi para alguém bater.
Absolutamente ninguém que estava ao meu redor, acompanhado minha luta, meu empenho, minhas noites mal dormidas, meus peitos pingando sangue, NINGUÉM achou que valia a pena guardar essa memória, registrar a beleza de uma mulher sendo fonte de alimento para seus filhos.
Sabem porque? Porque fomos ensinados a desviar o olhar. A sexualizar o corpo da mulher ao ponto de sentir constrangimento ao vê-la alimentar seu bebê.
Minha trajetória se iniciou em 2016. Recém aprovada na residência de pediatria, eu me tornava mãe. Não sabia nada sobre amamentação.
Tive fissuras graves, sangue pingava, mastite, dor, sensação de desmaio toda vez que colocava Júlia no peito.
Eu não busquei a informação. Tinha 25 anos e achava que era instintivo.
Mas eu sabia que aquele leite iria salvar a vida da minha filha. E de fato por muitas vezes salvou.
Não só colaborando para seu crescimento e desenvolvimento, mas impedindo infecções graves e sendo a única fonte de hidratação nas viroses onde nenhuma comida entrava.
Na volta precoce ao trabalho (2 meses), zero ambiente para ordenha, zero compreensão e acolhimento.
(Continua nos comentários)