24/04/2026
AMAR NÃO É COMPLETAR — É SUSTENTAR A FALTA
Para a psicanálise, o amor não nasce da plenitude, mas da falta. Como propôs Lacan, “amar é dar o que não se tem a alguém que não é”.
Isso significa que não amamos a partir de uma completude, mas justamente daquilo que nos falta — e que supomos que o outro possa, de algum modo, responder.
No amor, não encontramos nossa metade perdida. Encontramos um outro igualmente marcado pela falta.
E é nesse desencontro que o laço se constrói.
O problema começa quando exigimos do outro aquilo que ele não pode dar: uma garantia, uma completude, uma cura para o vazio.
Amar não é preencher o vazio — é reconhecer que ele existe, e ainda assim escolher permanecer.
O amor, então, não é fusão.
É intervalo.
É desejo que insiste, mesmo sem garantias.