Erica Nascimento

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Silvia Federici já denunciava uma coisa que muita gente ainda tenta romantizar: o corpo da mulher sempre foi tratado com...
17/05/2026

Silvia Federici já denunciava uma coisa que muita gente ainda tenta romantizar: o corpo da mulher sempre foi tratado como força de produção.

Produz cuidado.
Produz filhos.
Produz estabilidade emocional.
Produz desejo.
Produz trabalho invisível.

E quando esse corpo finalmente colapsa, chamam de fraqueza individual aquilo que sempre foi exaustão estrutural.

Talvez o problema nunca tenha sido a mulher “não dar conta”.
Talvez o problema seja esperarem que ela sustente tudo sem adoecer.

📍Na Ágora, a gente se aprofunda nessas discussões. Link na bio.

Subir montanha, correr descalço, fazer curso de masculinidade… virou tendência.  O problema é que muitos homens ainda ac...
16/05/2026

Subir montanha, correr descalço, fazer curso de masculinidade… virou tendência.
O problema é que muitos homens ainda acham extraordinário marcar a própria consulta ou cuidar dos próprios filhos.

Então segue a cartilha básica. Feita por uma mulher, claro.
Porque aparentemente até o funcionamento mínimo ainda sobra pra gente ensinar.

E o mais trágico é que muitas mulheres acham isso “homem raro”.
A régua masculina realmente passou uma temporada no inferno.

Na Ágora, a gente fala sobre essas estruturas sem romantização, sem guerra dos sexos e sem fingir que isso não atravessa relações, corpo, desejo e esgotamento feminino.

📍Link na bio para fazer parte da Ágora.

A mulher não adoece só pelo excesso de tarefas.Adoece porque virou o centro operacional da vida de todo mundo.Enquanto m...
16/05/2026

A mulher não adoece só pelo excesso de tarefas.
Adoece porque virou o centro operacional da vida de todo mundo.

Enquanto muitos homens ainda chamam de “ajuda”, mulheres seguem administrando rotina, casa, filhos, agenda e o emocional da família inteira.

Em 2024, o IBGE mostrou que mulheres brasileiras dedicam quase o dobro do tempo aos cuidados da casa e da família em comparação aos homens.

Chamaram de amor.
Chamaram de instinto.
Mas sobrecarga também adoece.

📌 Compartilhe com uma mulher que está cansada de carregar tudo sozinha.

Agora eu sei.  Foram necessários 35 anos.  E 15 anos maternando.  15 anos tentando ser firme sem endurecer. Tentando pro...
10/05/2026

Agora eu sei.

Foram necessários 35 anos.
E 15 anos maternando.

15 anos tentando ser firme sem endurecer. Tentando proteger sem sufocar. Tentando acertar enquanto o medo também sentava à mesa.

Só agora eu consigo te entender, mãe.

Entender que antes da mãe, existe uma mulher.
Uma mulher cansada, atravessada pela própria história, tentando fazer o melhor com o que tinha. E às vezes sem ter quase nada além da coragem.

Não existe maternidade ideal.
Existe culpa. Existe exaustão. Existe tentativa e erro. Principalmente quando se trata do primeiro filho.

Eu fui a sua primeira filha.
E hoje eu sei que enquanto eu crescia, você também crescia junto comigo. Ninguém te ensinou. Não existia manual. Existia a vida. Crua. Barulhenta. Impiedosa com mulheres.

Do mesmo jeito que eu estava aprendendo a ser filha, você estava aprendendo a ser mãe.

Hoje, sendo mãe de dois adolescentes, minha admiração por você aumentou ainda mais. Porque agora eu entendo o peso das decisões difíceis. O cansaço das noites mal dormidas. O medo escondido atrás da firmeza.

As broncas que eu achei exageradas.
Os “nãos” que eu odiei.
A rigidez que eu questionei.

Tudo isso também me construiu.

Sua força me ensinou a não desabar diante da vida.
Sua firmeza me ensinou limite.
Sua garra me ensinou permanência.

Mãe não é santa. Nunca foi.
Mãe é mulher tentando não desaparecer enquanto cuida de todo mundo.

E talvez crescer seja isso:
olhar para a própria mãe sem a fantasia infantil.
E ainda assim escolher amá-la.

Te amo

Em que momento uma mulher deixa de ser sujeito e vira função?Isso não acontece de uma vez.Acontece devagar.E quase sempr...
08/05/2026

Em que momento uma mulher deixa de ser sujeito e vira função?

Isso não acontece de uma vez.
Acontece devagar.
E quase sempre com aplausos.

Ela vira “a forte”.
“A que resolve.”
“A que aguenta.”
“A que dá conta.”

E quando percebe, ninguém mais pergunta como ela está.
Perguntam se ela fez.
Se lembrou.
Se organizou.
Se cuidou de tudo.

O afeto vira desempenho.

Mulheres foram ensinadas a confundir amor com utilidade.
Se ama, suporta.
Se ama, cede.
Se ama, permanece.

Até desaparecer.

O problema é que ninguém nota o desaparecimento de uma mulher funcional.
Porque ela continua funcionando.

O corpo adoece enquanto ela segue entregando almoço, respondendo mensagem, organizando agenda e dizendo:
“Tá tudo bem.”

Freud já apontava que o corpo fala aquilo que foi silenciado.
E Bell Hooks denunciou algo que ainda romantizam:
mulheres são ensinadas a cuidar de todos, menos de si.

Só que existe uma perversidade nisso:
a mulher exausta ainda serve.
Então ninguém interrompe.

Pelo contrário.
Chamam de “guerreira”.

Existe algo cruel em transformar esgotamento em elogio.

E talvez a frase mais violenta dita para muitas mulheres seja:
“Ela dá conta.”

Porque quase sempre isso é dito no momento exato em que ela está deixando de existir.

👉 Clique no link da bio

Freud faria 170 anos.Mas a psicanálise não começa nele. Começa quando Anna O. interrompe e impõe: deixe-me falar.Ali, Si...
06/05/2026

Freud faria 170 anos.
Mas a psicanálise não começa nele. Começa quando Anna O. interrompe e impõe: deixe-me falar.

Ali, Sigmund Freud aprende o que muita gente até hoje evita:
escutar sem invadir, sem corrigir, sem domesticar a fala.

Seis anos escutando mulheres me ensinaram o óbvio que ninguém sustenta:
o que dói não precisa de solução apressada.
Precisa de escuta.

Escutar o que ninguém quer ouvir.
Inclusive o que incomoda em mim.

A todas que confiaram suas histórias —
as que ficaram, as que foram, as que ainda vão chegar

Não é só cansaço.Dados recentes mostram o que muitas já sentem no corpo:  mulheres lideram os índices de ansiedade e dep...
05/05/2026

Não é só cansaço.

Dados recentes mostram o que muitas já sentem no corpo:
mulheres lideram os índices de ansiedade e depressão no Brasil e no mundo.
O afastamento por transtornos mentais cresceu nos últimos anos.
E a sobrecarga feminina segue sendo maior dentro e fora de casa.

Mas tem um ponto que não entra nos relatórios:
o que você engole todos os dias.

O que não é dito não desaparece.
Se desloca.
E o corpo paga.

➡️Se você se reconhece, salve esse post.

Eu pensei muito antes de tocar nisso de forma tão direta.Não porque falte caso. Falta coragem coletiva.Nos últimos dias,...
05/05/2026

Eu pensei muito antes de tocar nisso de forma tão direta.
Não porque falte caso. Falta coragem coletiva.

Nos últimos dias, muita gente compartilhou.
Mas compartilhar não muda estrutura.
Se não atravessa, vira só mais um post que alivia a consciência e mantém tudo igual.

Existe uma lógica silenciosa operando há anos:
mulheres sendo ensinadas a suportar em nome da fé,
meninas aprendendo cedo a não nomear o que sentem,
relações onde o silêncio é tratado como virtude.

E o preço aparece.
No corpo cansado, na ansiedade constante, na irritação que não tem “explicação”, na culpa que vem depois de qualquer tentativa de dizer não.

Isso não é sobre atacar religião.
É sobre encarar o uso da religiosidade como mecanismo de controle e silenciamento.

Quando a palavra não encontra lugar, o corpo encontra uma forma.
Se isso te atravessa, não ignora.

Eu pensei muito antes de tocar nisso de forma tão direta.Não porque falte caso. Falta coragem coletiva.Nos últimos dias,...
05/05/2026

Eu pensei muito antes de tocar nisso de forma tão direta.
Não porque falte caso. Falta coragem coletiva.

Nos últimos dias, muita gente compartilhou.
Mas compartilhar não muda estrutura.
Se não atravessa, vira só mais um post que alivia a consciência e mantém tudo igual.

Existe uma lógica silenciosa operando há anos:
mulheres sendo ensinadas a suportar em nome da fé,
meninas aprendendo cedo a não nomear o que sentem,
relações onde o silêncio é tratado como virtude.

E o preço aparece.
No corpo cansado, na ansiedade constante, na irritação que não tem “explicação”, na culpa que vem depois de qualquer tentativa de dizer não.

Isso não é sobre atacar religião.
É sobre encarar o uso da religiosidade como mecanismo de controle e silenciamento.

Quando a palavra não encontra lugar, o corpo encontra uma forma.

Se isso te atravessa, não ignora.

01/05/2026

Você não se abandona de uma vez.
Você vai se deixando pra depois.

Primeiro é só hoje.
Depois vira rotina.

Você cuida, resolve, sustenta…
e, no meio disso tudo, vai se apagando sem fazer barulho.

O corpo começa a falar.
Cansaço que não passa.
Irritação que você nem reconhece.
Um vazio estranho, difícil de nomear.

Não é falta de força.
É excesso de silêncio.

📌 Se isso te atravessou, compartilha com alguém que também anda se deixando por último.

Essa culpa não nasceu com você.Ela foi ensinada.Durante muito tempo, a mulher foi educada para manter relações, sustenta...
30/04/2026

Essa culpa não nasceu com você.
Ela foi ensinada.

Durante muito tempo, a mulher foi educada para manter relações, sustentar vínculos e evitar ruptura. Dizer não sempre teve um custo: desaprovação, rejeição, abandono.

Então você aprende cedo.
A ceder, a ajustar, a não incomodar.

Quando você coloca limite hoje, não dói só pelo presente.
Dói porque toca uma memória antiga: a de que, se você não sustentar tudo, você perde lugar.

Por isso a culpa vem.
Não como erro, mas como reflexo de um treinamento.

✨ Se você quer aprofundar discussões como essa, faça parte da Ágora. Link na bio.

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Belo Horizonte, MG

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