07/04/2025
O artigo recente de Mei et al. (2025) destaca a microbiota intestinal como um possível alvo terapêutico na abordagem da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) e sua forte associação com a resistência à insulina (RI). Até 70% das pacientes com SOP apresentam RI, o que agrava não apenas disfunções reprodutivas, mas também riscos metabólicos como diabetes, dislipidemia e esteatose hepática.
Pacientes com SOP exibem redução de bactérias benéficas (Akkermansia muciniphila, Bifidobacterium) e aumento de patógenos oportunistas (Prevotella, Escherichia/Shigella). Essa disbiose correlaciona-se com hiperandrogenismo, inflamação sistêmica e piora da RI.
Em pacientes com SOP, a eficiência da captação e utilização da glicose diminui. O corpo compensa secretando insulina excessivamente, levando à hiperinsulinemia para manter a estabilidade da glicose no sangue. O hiperandrogenismo se origina principalmente das células da teca dos ovários. Níveis elevados de hormônio luteinizante (LH) em pacientes com SOP podem estimular os ovários a produzir mais testosterona, inibir a ovulação e causar aumento dos cistos ovarianos.
O trabalho revela que a disbiose intestinal desempenha um papel central nessa conexão, atuando por múltiplos mecanismos, e sugere algumas intervenções promissoras para o tratamento das pacientes: uso de probióticos e prebióticos, metformina, inositol, polifenóis como o resveratrol, entre outras abordagens.
MEI, Y. et al. Gut microbiota: an emerging target connecting polycystic ovarian syndrome and insulin resistance. Frontiers in Cellular and Infection Microbiology, v. 15, p. 1508893, 2025.