19/02/2026
O Carnaval acabou.
As serpentinas se recolhem, os confetes se escondem nos cantos da casa,
e o corpo ainda dança sozinho, como se o batuque estivesse tatuado na pele.
Mas é agora que o Brasil desperta do transe colorido:
o calendário finalmente ganha vida,
as metas voltam a bater na porta,
e o “depois do Carnaval” deixa de ser desculpa para virar realidade.
Há quem diga que o ano só começa agora —
e talvez seja verdade.
Porque o cérebro humano também precisa de rituais,
de pausas que marcam o tempo,
de explosões de alegria que funcionam como reset emocional.
Para algumas pessoas neurodivergentes,
essa transição pode ser ainda mais intensa:
o excesso de estímulos, o ritmo frenético,
seguido de um silêncio quase brutal.
É como sair de um samba elétrico direto para uma sala de espera.
E nesse contraste, há poesia.
O fim do Carnaval é um convite para reorganizar os pensamentos,
para recolher os brilhos que ainda grudam na alma,
e decidir quais deles merecem virar projetos, sonhos, ou simplesmente lembranças.
Então, sim: o ano começa agora.
Com menos purpurina, mas com mais intenção.
Com menos fantasia, mas com mais autenticidade.
E se o Carnaval foi fogo, que o resto do ano seja brasas bem cuidadas,
aquecendo os dias sem queimar demais.