psi.raquelrios

psi.raquelrios Valorização da saúde mental e desenvolvimento emocional, através de uma psicanálise viva, afeti

Ao final do ano, é comum que muitos pacientes façam uma espécie de retrospectiva íntima: do que foi vivido, dos obstácul...
19/12/2025

Ao final do ano, é comum que muitos pacientes façam uma espécie de retrospectiva íntima: do que foi vivido, dos obstáculos atravessados (e também dos que ainda permanecem), das conquistas e das renúncias, dos tombos e do que começou a cicatrizar, das feridas que seguem abertas. Dos sonhos realizados, de outros frustrados, ou até dos sonhos sonhados onde antes só havia vazio…

E nós, enquanto analistas e/ou psicólogos, também somos atravessados por esse movimento. Avaliamos o que foi vivido na dupla, não a partir de um olhar contábil, em busca de saldo positivo, mas com sensibilidade para reconhecer o que nenhum dinheiro compra: a coragem de cada paciente ao se enfrentar, a grandeza de reconhecer limites e erros, os pequenos e grandes movimentos internos, e a própria vida com seus mistérios.

Em meio a um mês tão cheio de estímulos, barulhos, listas e celebrações, considero um enorme privilégio sustentar esse espaço onde é possível ser menos herói e mais humano, menos solitário e mais em pares, menos virtual e mais real, menos performance e mais verdade.

Agradeço profundamente a cada paciente pela confiança e pelo privilégio de caminharmos juntos ao longo deste ano na busca por sentir, construir sentidos e sermos, pouco a pouco, mais nós mesmos.🌷

Eu poderia defender a formação psicanalítica em uma instituição como a SBPMG falando de ética, pertencimento e de uma tr...
07/12/2025

Eu poderia defender a formação psicanalítica em uma instituição como a SBPMG falando de ética, pertencimento e de uma transmissão que não é apenas técnica, mas também simbólica. Poderia dizer que a instituição oferece continência às nossas angústias, protege do isolamento profissional e nos coloca em contato com uma pluralidade não apenas de teorias e técnicas, mas sobretudo de pessoas: novos modelos identificatórios, transmissões intergeracionais riquíssimas, trocas, redes, sustentações.

Isso tudo é verdadeiro, e ainda assim insuficiente.

Porque a experiência viva da nossa formação contínua não cabe inteira nas palavras formais. Ela mora nas conversas necessárias para digerir conteúdos densos (às vezes até indigestos) depois de seminários intensos. Mora nas ligações feitas no fim do dia, nas confissões íntimas, no café que vira prosa, que vira fofoca, que vira cuidado. Mora nas histórias compartilhadas, nas caronas oferecidas, nos abraços espontâneos, nas gargalhadas que aliviam, nas presenças que sustentam.

Mora, sobretudo, nas companhias vivas que nos ajudam a nos tornar quem somos — e a nos orgulhar disso e do que fazemos.

Obrigada pela companhia na caminhada de mais este ano e pela festa tão animada! ✨🥂

Boas festas e final de ano a todos… seguimos em frente!

Na vida, pessoal e clínica, somos constantemente atravessados pelo sofrimento do “e se”:e se eu tivesse visto, percebido...
19/11/2025

Na vida, pessoal e clínica, somos constantemente atravessados pelo sofrimento do “e se”:
e se eu tivesse visto, percebido, feito, evitado... isso antes?

Carregamos a fantasia de que poderíamos ter evitado dores ou situações que, no fundo, nos constituem.
Tornamo-nos intolerantes ao nosso (e ao do outro) não saber antes, como se a vida fosse um instrumento que já deveríamos nascer sabendo tocar , e sem desafinar.

Mas afinal, qual o sentido de estarmos aqui, se não para aprender e nos constituir nas experiências?

“Em matéria de viver, nunca se pode chegar antes” escreveu Clarice Lispector, e nesse mesmo compasso, cantou Milton:

“Cores mudam, as mudas crescem, quando se desnudam, quando não se esquecem...
Daquelas dores que deixamos para trás, sem saber que aquele choro valia ouro.
Estamos existindo entre mistérios e silêncios, evoluindo a cada lua, a cada sol.
Eu sou maior do que era antes, estou melhor do que era ontem”

Nos tempos de hoje, entre fórmulas prontas e manuais de sucesso, é fácil acreditar que estamos “vivendo errado” … atrasados, fora do tempo, ou impotentes diante da promessa de uma vida sem dor.

Mas talvez seja o contrário: ao tentar evitar o sofrimento, atropelamos nossa própria natureza imperfeita.

Que tenhamos a humildade de não querer triunfar sobre o tempo, de acolher o que falta, o que não sabemos, o que ainda dói.

Porque é disso - do mistério, da espera e dos tropeços - que nascemos e nos tornamos humanos.🌷

Foram quatro dias de mergulho profundo nas camadas do intrapsíquico e nas reverberações do mundo, “onde o sofrimento nun...
30/10/2025

Foram quatro dias de mergulho profundo nas camadas do intrapsíquico e nas reverberações do mundo, “onde o sofrimento nunca se produz no vácuo” - como disse Filipe Vieira.

Entre mesas que pensaram temáticas urgentes como o corpo, gênero, sexualidade, violências e vínculos…ficou evidente: a psicanálise segue sendo uma escuta ética diante do humano em suas complexas camadas.

Nesse Congresso priorizei os encontros, talvez ainda mobilizada pela pandemia e saudade dos encontros presenciais.

Reencontrei pessoas queridas, autores admirados, vozes que antes ecoavam apenas nos livros ou nas telas do Zoom.

Entre o frio das serras e o calor das trocas, percebi que há algo que a teoria não alcança: o olho no olho, o riso que se espalha, o movimento vivo dos corpos se abraçando e dançando como na festa de confraternização.

Um congresso impecavelmente organizado, que nos convocou a pensar não apenas sobre o desejo e a diferença, mas também sobre o que se passa entre nós — nas fronteiras do individual e do coletivo, do íntimo e do social.

Porque, afinal, como na sala de análise, é o encontro emocional que nos transforma — tudo o mais é elaboração posterior, vestígio do que só se vive no entre.

Em Gramado, entre montanhas e encontros, a psicanálise reafirmou seu lugar: o de cuidar do tumulto — e dele fazer pensamento, expansões e transformações.

Obrigada a todos que fizeram parte desses dias memoráveis!

Se, para o desenvolvimento do corpo, precisamos inicialmente habitar a casa/corpo de outro ser, também para o desenvolvi...
25/09/2025

Se, para o desenvolvimento do corpo, precisamos inicialmente habitar a casa/corpo de outro ser, também para o desenvolvimento psíquico precisamos de uma mente capaz de nos acolher.

Ao ler a citação de Isaías Kirschbaum, lembrei-me do belíssimo artigo de Maria Bernadete Assis: “Hospitalidade à luz da teoria das transformações de Bion”. Nele, a autora (e também minha querida supervisora) amplia essa ideia ao falar da hospitalidade analítica: para além de acolher e nomear as angústias, o analista se torna disponível para viver uma experiência emocional em uníssono com o paciente.

É desse encontro — de duas mentes que se deixam habitar — que podem nascer novas condições emocionais, abrindo espaço para que a vida psíquica se expanda. Como uma casa que se abre ao hóspede, ou como um ventre que guarda o germe da vida, a hospitalidade analítica pode oferecer abrigo ao que ainda não tem forma, até que possa nascer em palavra, sonho ou emoção.

Admiro em você o gesto de reconhecer, em si mesma, a mesma humanidade que acolhe em seus pacientes e/ou colegas de traba...
27/08/2025

Admiro em você o gesto de reconhecer, em si mesma, a mesma humanidade que acolhe em seus pacientes e/ou colegas de trabalho.
Reconheço nossos limites e potencialidades — e por isso admiro quando a dedicação e estudos são contínuos, a curiosidade pulsante e a ética preservada.
Nosso ofício não nasce de um dom inato, tampouco de uma caridade improvisada:
é humildade em exercício, é atravessar na própria pele o cuidado que nos dispomos a oferecer.
Carregamos o peso das responsabilidades, a preocupação com dores profundas que muitas vezes ecoam em nós,
andando em par e passo com nossos próprios desafios pessoais e familiares. Com nossos próprios lutos, inquietações e faltas.
Também sei do peso silencioso dos boletos, dos impostos, da agenda que nem sempre cabe em nossas mãos.
É trabalho — e, justamente por sê-lo, é ainda mais digno.
Admiro a escolha e coragem que partilhamos:
a de sustentar, dia após dia, a aposta nos vínculos,
a confiança de que, no encontro entre humanos, algo pode se transformar.
Feliz dia do psicólogo —
seguimos juntos nessa corajosa humanidade compartilhada.🌷

Visitei o Parque das Aves, em Foz, e senti que a vida resiste em cores e cantos — testemunho frágil e vibrante do que ai...
26/08/2025

Visitei o Parque das Aves, em Foz, e senti que a vida resiste em cores e cantos — testemunho frágil e vibrante do que ainda pulsa, mesmo diante do ataque humano e do abismo que nós cavamos. Me impactou descobrir a ferida aberta: apenas 8% da Mata Atlântica sobrevive.

Na sequência do final de semana, conheci também a Aripuca (“arapuca” no português) em Puerto Iguazú, e ali a metáfora ganhou corpo: uma imensa armadilha de madeiras ancestrais nos lembra que seremos prisioneiros daquilo que devastamos.

Me lembrei de Bion, quando escreveu sobre a arrogância humana que ataca os vínculos, que recusa a dependência e a humildade de reconhecer-se parte de algo maior.
O mesmo ataque que se dirige ao outro, e até a nossa própria mente, também pode ser dirigido ao ambiente como se a natureza fosse mera extensão da vaidade — e não o tecido vivo do qual fazemos parte.

Contudo, em mim insiste pulsante uma fresta de esperança: se a arrogância destrói, o vínculo pode reconstruir. Se a oca gigante da Aripuca é metáfora de nossa própria armadilha, talvez também seja convite a repensar o caminho — menos cárcere, mais abrigo.

Somos capazes disso?

Diante da grandiosidade de Itaipu, fiquei impressionada não só com a engenharia, mas com a metáfora viva que se ergue al...
22/08/2025

Diante da grandiosidade de Itaipu, fiquei impressionada não só com a engenharia, mas com a metáfora viva que se ergue ali: a força bruta das águas contida por diques que as transformam em energia. Freud nos ensinou que a psique também constrói seus próprios diques — defesas que seguram as torrentes inconscientes, para que não nos inundem de angústia.

Essas barreiras internas, quando bem dosadas, nos ajudam a viver, a transformar a intensidade da vida em criação. Mas, se se erguem altas demais, tornam-se prisões: impedem o fluxo, sufocam a vitalidade e empobrecem o ego.

Assim como Itaipu mostra a potência da água quando contida sem ser aniquilada, também nós precisamos permitir que algo de nossas profundezas encontre passagem — para que a vida não se reduza a mera contenção, mas se expresse em movimento, energia e beleza.

Para aqueles que cumprem a desafiadora e necessária função paterna, que pintam nossa vida com cores de amanhecer, que sã...
10/08/2025

Para aqueles que cumprem a desafiadora e necessária função paterna, que pintam nossa vida com cores de amanhecer, que são porto, farol e asas - abraço que acolhe e desperta coragem:
Feliz dia dos pais!

Há palavras que nos atravessam.Palavras de livros, de autores, de pacientes.Palavras que pousam em nós como semente.“Um ...
08/07/2025

Há palavras que nos atravessam.
Palavras de livros, de autores, de pacientes.
Palavras que pousam em nós como semente.

“Um dia feliz tem mais poder que a tristeza de uma vida inteira. Nele moram as reviravoltas.”
Li essa frase de Carla Madeira e me arrepiei ao ouvi-la ecoar novamente da boca de um paciente.

Sim, porque entre silêncios, dores e desafios, somos também testemunhas de reviravoltas.
Elas chegam de mansinho, às vezes, quase imperceptíveis, mas vêm.
Têm a força de mudar um destino, de devolver o riso, de renovar a esperança.

Há algo profundamente humano em reconhecer que a alegria pode, sim, ser maior que o sofrimento.
Que um dia feliz carrega a força de reescrever histórias inteiras.
Que vale a pena lutar por esses dias. E que é menos pesado quando lutamos juntos.

No consultório, e dentro de mim, guardo cada dia feliz que floresce.
Eles me lembram da força que temos de renascer, do amor que nos move,
e do milagre simples que é acreditar de novo.
No novo. 🌷

Foi em uma das calouradas da minha vida universitária que ouvi, pela primeira vez, o tom do nordestino de olhos claros.“...
28/06/2025

Foi em uma das calouradas da minha vida universitária que ouvi, pela primeira vez, o tom do nordestino de olhos claros.
“Foi arrebatador, chegou sem avisar.”

Me mostrou que eu podia ser Todas Elas Juntas Num Só Ser.
E, a partir dali, passou a me fazer companhia no Pôr do Sol, e em Todos os Caminhos.

Com melodias ora vibrantes, ora delicadas, suas letras nomeavam o Miedo, a Paciência e tantas outras nuances de estar Vivo, que eu me encantei.
Simples assim.

Seu nome é Lenine — trilha sonora de tantas das minhas experiências.

Canções da minha dor
Canções do meu pesar
Canções do meu amor
Canções do meu amar (...)
O que eu sou,
eu sou em par.
Não cheguei,
não cheguei sozinha.”

Ter o privilégio de escutá-lo ao vivo, mais uma vez, me lembrou do bálsamo que é contarmos com a arte, com a música, com a literatura — e claro, com a psicanálise — para nos ajudar a dar voz e forma aos ruídos em nós.

Fundamental é mesmo esse Outro
que nos ajuda a cantar o que cala.
Que pode ser ponte, pulso, palavra.

Obrigada por essa noite belorizontina memorável ✨

Foi em uma das calouradas da minha vida universitária que ouvi, pela primeira vez, o tom do nordestino de olhos claros.“...
28/06/2025

Foi em uma das calouradas da minha vida universitária que ouvi, pela primeira vez, o tom do nordestino de olhos claros.
“Foi arrebatador, chegou sem avisar.”

Me mostrou que eu podia ser Todas Elas Juntas Num Só Ser.
E, a partir dali, passou a me fazer companhia no Pôr do Sol, e em Todos os Caminhos.

Com melodias ora vibrantes, ora delicadas, suas letras nomeavam o Miedo, a Paciência e tantas outras nuances de estar Vivo, que eu me encantei.
Simples Assim.

Seu nome é Lenine — trilha sonora de tantas das minhas experiências.

“Canções da minha dor
Canções do meu pesar
Canções do meu amor
Canções do meu amar (...)
O que eu sou,
eu sou em par.
Não cheguei,
não cheguei sozinha.”

Ter o privilégio de escutá-lo ao vivo, mais uma vez, me lembrou do bálsamo que é contarmos com a arte, com a música, com a literatura — e claro, com a psicanálise — para nos ajudar a dar voz e forma aos ruídos em nós.

Fundamental é mesmo esse
Outro que nos ajuda a cantar o que cala.
Que pode ser ponte, pulso, palavra.

Obrigada por essa noite belorizontina memorável! ✨

Endereço

Edifício Work Center: Avenida Afonso Pena N3111 Sala 1001
Belo Horizonte, MG

Site

http://www.raquelrios.com.br/

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